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Percevejo

Hemiptera

Sobre

Os percevejos (Hemiptera) são insetos sugadores, de desenvolvimento paurometabólico, passando pelas fases de ovo, ninfa e adulto. As espécies mais comumente encontradas em trigo pertencem à família Pentatomidae como os percevejos-barriga-verde, Dichelops melacanthus e D. furcatus, o percevejo-verde, Nezara viridula e o percevejo-do-trigo, Thyanta perditor, e à família Miridae, como o denominado percevejo-raspador, percevejo-do-capim ou percequito, Collaria scenica.

 

Os percevejos-barriga-verde que historicamente eram citados apenas como pragas secundárias em soja (fase reprodutiva), recentemente passaram a ocorrer em trigo, como pragas de início de ciclo. Os cultivos de safrinhas de milho e a presença de palha na superfície do solo têm sido associados com este fato, fazendo com que os insetos se mantenham na área e busquem o trigo para se alimentarem logo após a emergência das plantas. D. melacanthus, de ocorrência mais comum no Paraná e em latitudes menores, é a espécie que provoca maiores danos exigindo, frequentemente, controle químico. Plântulas atacadas apresentam folhas com perfurações transversais, inclusive com necrose do tecido. As folhas dobram ou quebram nas linhas de perfuração; algumas ficam enroladas e deformadas. Ocorre problemas no afilhamento, no desenvolvimento das plantas e redução no rendimento de grãos. D. furcatus ocorre mais ao sul e não tem sido tão problemática, em função da ocorrência em níveis populacionais menores, até o momento.

O percevejo-verde é uma espécie reconhecidamente polífaga, importante praga da cultura de soja. O adulto apresenta diapausa facultativa no inverno, quando se refugia na vegetação natural. Passado o período mais frio, migra na busca de alimento em plantas hospedeiras, como trigo, colza, linho e leguminosas. Em trigo, a alimentação na espiga em formação, quando as plantas estão em fase de emborrachamento, causa morte da espiga ou de parte dela (espiguetas). As espigas que emergem apresentam-se deformadas, secas e brancas, com sintomas semelhantes aos de dano por geadas.

O percevejo-do-trigo é mais comum nas regiões em que o clima, na época de cultivo de trigo, caracteriza-se por pouca chuva e temperatura relativamente maior, onde também ataca a cultura de arroz.

 

O percevejo-raspador tem sido encontrado em trigo e em diversas outras gramíneas, cultivadas ou não, como aveia, cevada, triticale, milho, arroz, papuã, festuca, quicuio, azevém, entre outras. Por ser um inseto de tamanho relativamente pequeno (0,8 a 1,0 cm de comprimento) e ao introduzir os estiletes bucais nos tecidos vegetais para sugar o conteúdo celular, provoca morte de células e aparecimento de sintomas típicos de “raspagens”. As manchas esbranquiçadas, que podem evoluir para secamento do tecido, em folhas, colmos e espigas. A população cresce a partir do mês de setembro, quando, normalmente, o trigo está emborrachado ou em espigamento. Altas populações na fase de enchimento dos grãos, como 10 percevejos por planta podem comprometer a folha bandeira e provocar redução no rendimento de grãos.

Sintomas

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Tratamento

Do ponto de vista econômico, o inseto só é considerado praga para uma determinada cultura quando atinge níveis populacionais, cujos danos potenciais superam o gasto que seria necessário para evitá-los. As pragas que com maior frequência atingem essa condição na cultura do trigo a campo, são os pulgões, a lagarta-do-trigo, a lagarta-militar, o coró-das-pastagens, o coró-do-trigo e o percevejo-barriga-verde. Para este último, apesar de sua importância econômica, especialmente no estado do Paraná, ainda não há recomendações quanto ao nível populacional no qual deve ser feito o controle, nem quanto ao método de amostragem. O percevejo-barriga-verde pode ser controlado pela aplicação de inseticida em pulverização ou via tratamento de sementes de trigo com inseticidas sistêmicos.

 

Para controle químico das pragas de trigo devem ser utilizados apenas produtos registrados para tal no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Recomenda-se que, preferentemente, sejam empregados produtos referendados pela Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale e que, entre estes, sejam preferidos os que têm menor efeito tóxico sobre inimigos naturais das pragas, outros animais não visados e para o homem.

 

Armadilhas a base de feromônios criada pela Embrapa.