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Ácaros

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Sobre

Existem ácaros por toda parte, e nós estamos diariamente em contato com eles, ainda que frequentemente sem perceber. Eles são geralmente muito pequenos, e muitos são de cor clara, o que dificulta sua visualização. Os ácaros que mais amedrontam as pessoas em geral são aqueles encontrados dentro de nossas residências, entre as fibras do tapete, carpete, cortina, roupa de cama, embaixo da cama, etc. Muitas pessoas sofrem bastante com a presença destes, devido a problemas de alergias respiratórias por eles causados.

Os agricultores conhecem muito bem, entretanto, um outro tipo de ácaros que lhes causam muita preocupação. Estes são ácaros que se alimentam de plantas, frequentemente reduzindo significativamente a produtividade de diversas culturas. São os ácaros praga, cujos representantes principais pertencem às famílias Tetranychidae, Eriophyidae, Tenuipalpidae e Tarsonemidae.

Diversas espécies importantes podem ser citadas dentro de cada uma desta famílias. Uma é o ácaro rajado (Tetranychus urticae, família Tetranychidae), que ataca mais de uma centena de espécies vegetais importantes, dentre as quais algodão, feijão, mamão, soja, tomate, etc. Deixam as folhas atacadas amareladas e cobertas de teia que eles produzem. O ácaro da ferrugem do tomateiro (Aculops lycopersici, família Eriophyidae) ataca pouquíssimas plantas da família das solanáceas, sendo mais conhecido por atacar o tomateiro, cultura à qual causa enormes prejuízos em várias partes do país, especialmente nas regiões mais secas do Nordeste. As folhas atacadas ficam primeiro escurecidas e brilhantes, depois secam e caem. O ácaro da leprose dos citros (Breripalpus phoenicis, família Tenuipalpidae) constitui-se na principal praga dos citros no estado de São Paulo, mas ataca também diversas outras culturas importantes em todo o Brasil. Atacam folhas, ramos e frutos, mas seu ataque é mais nítido nos frutos, que ficam com manchas marrons, arredondadas, e caem prematuramente. O ácaro branco do algodão (Polyphagotarsonemus latus, família Tarsonemidae) é um dos menores ácaros que causam danos às plantas cultivadas, sendo encontrado principalmente nas folhas mais jovens de algodão, mamão, feijão, etc. Apesar de seu tamanho reduzido, causa grandes danos, exatamente por atacar as regiões das plantas que ainda estão em crescimento, fazendo com que numa fase posterior as folhas apresentem-se deformadas.

Diversas outras espécies de ácaros praga poderiam ser citadas em cada uma daquelas famílias, causando maiores ou menores danos de acordo com vários fatores, como condições climáticas reinantes a cada ano, variedade da planta cultivada, sistema de irrigação empregado, tipos de pesticidas utilizados para o controle de outras pragas associadas aos ácaros, época de plantio, etc.

 

Fonte: Grupo Cultivar

Sintomas

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Tratamento

Uso de ácaros predadores no controle biológico

 

Ácaros predadores das famílias Erythraeidae, Cunaxidae, Phytoseiidae e Stigmaeidae foram observados na cultura do morangueiro no Estado do Rio Grande do Sul. Os fitoseídeos são os ácaros mais comuns e os mais importantes no controle dos ácaros fitófagos sendo que onze espécies de Phytoseiidae foram relatadas associadas à cultura do morangueiro no RS com destaque para Neoseiulus californicus (McGregor, 1954) e Phytoseiulus macropilis (Banks, 1904).
Neoseiulus californicus - Quando adulto, apresenta cor amarelo-palha e corpo alongado. Observado normalmente na face inferior dos folíolos sob a teia do ácaro rajado ou próximo da nervura principal. Exerce um controle efetivo sobre as populações do ácaro-rajado e do ácaro do enfezamento. Este predador é criado em estufas para realizar a liberação massal e controlar os ácaros-praga da cultura do morangueiro.
Phytoseiulus macropilis - Quando adulto apresenta cor avermelhada e o corpo forma ovóide. Também é encontrado na face inferior dos folíolos do morangueiro sob a teia do ácaro rajado ou próximo da nervura principal. Pode ser visualizado sem o uso de lupa como um ponto vermelho de rápida movimentação. Quando tocado movimenta-se rapidamente. Ocorre naturalmente em plantações de morango sem o uso de agrotóxicos. Alguns agricultores conseguem controlar de forma satisfatória o ácaro rajado somente com o emprego deste predador, sem a necessidade de intervenção química. Devido a seu alto consumo de presas e desconhecimento de presas alternativas, é de difícil criação massal.
Os dois gêneros são importantes agentes de controle biológico adquirindo a cor das presas nas quais se alimentam. Deslocam-se com muita rapidez em toda a superfície foliar e predam preferencialmente ácaros tetraniquídeos. Na falta desses passam a se alimentar de outros ácaros, ninfas de cochonilhas, fungos, grãos de pólen e de sucos celulares. Os fitoseídeos podem ser multiplicados, com facilidade, em ambientes controlados, com a finalidade de desenvolver o controle biológico nas lavouras.

 

Criação de ácaros predadores

 

Em geral os ácaros predadores ocorrem naturalmente em todos os ambientes, apenas precisam de alimento para se multiplicar. Portanto, é conveniente que antes do estabelecimento do morangueiro, seja semeada em uma estufa própria para isto, uma cultura que seja atacada pelo ácaro rajado para obter a multiplicação dos predadores nas imediações (Ex.: feijão). O predador será transferido para os morangueiros se for constatada infestação do ácaro rajado. Assim, é provável que o primeiro ataque cause dano a cultura mas, posteriormente observar-se-á o equilíbrio.
A forma mais simples de multiplicar os ácaros predadores é através da criação do ácaro rajado sobre feijão da seguinte forma:
Plantar feijão, em potes ou sacos plásticos, em alta densidade;
Cerca de 14 dias após o plantio infestar as plantas com ácaro rajado;
Quando observar que todas as folhas já estão atacadas pelo ácaro rajado, liberar o ácaro predador;
Caso não tenha uma colônia do predador, trazer folhas do campo com alta população do rajado. Geralmente há uma associação de ácaros predadores onde existe oferta de alimento. O ideal é manter uma colônia isolada de predadores;
Após a infestação com material do campo, analisar periodicamente as folhas do feijoeiro e quando tiver mais predadores do que o ácaro rajado é o momento de levar as folhas para a lavoura.

 

 

Medidas auxiliares do controle biológico de ácaros

 

Produção de mudas em áreas isentas de ácaros fitófagos;
Plantar mudas sadias, livres de ácaros fitófagos e isentas de doenças;
Descartar e eliminar as mudas com problemas fitossanitários;
Realizar poda fitossanitária das folhas e constatada a presença de ovos ou formas móveis de ácaros realizar uma desinfestação das mudas por imersão no pré-plantio com um dos acaricidas permitidos (Quadro 2);
Plantar as mudas em áreas não-contaminadas por ácaros fitófagos ou outros problemas fitossanitários;
Efetuar adubações orgânicas e minerais equilibradas, com antecedência, de acordo com as análises de solo e foliar;
Em áreas endêmicas e com microclimas favoráveis, antecipar o plantio utilizando cultivares precoces e resistentes às doenças foliares para maximizar a produção antes dos picos ascendentes do ácaro rajado;
Monitorar as populações de ácaros fitófagos;
Manter criações de ácaros fitoseídeos, em ambientes controlados, para a liberação desses predadores em lavouras e viveiros infestados de ácaros nocivos;
Liberar ácaros fitoseídeos nos ecossistemas infestados pelos ácaros nocivos para manter esses organismos em níveis de equilíbrio;
Promover associações de vegetais cultivados e nativos com morangueiros para possibilitar a implantação de fitoseídeos e outros inimigos naturais nesta cultura.

 

Fonte: Embrapa