Aguarde...

Taxa anual de desmatamento da Amazônia cresce 3,8%





De agosto de 2007 a julho de 2008, o Brasil desmatou 11.968 km2 de florestas na Amazônia Legal. Esse é o dado do desmatamento anual divulgado hoje pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O número representa um aumento de 3,8% em relação ao desmatamento verificado no ano anterior, indicando uma quebra na tendência de reduções da taxa verificada desde o período 2004-2005. É um indício de que ainda é necessário rever e ampliar os esforços para conter o desmatamento, tornando-os mais sistêmicos, integrados e estratégicos.

Entre agosto de 2006 e julho de 2007, a taxa de desmatamento foi de 11.532 km2, 18% menor do que o desmatamento medido entre 2005 e 2006. Essa relativa estabilidade da taxa de desmatamento neste último ano contrasta com algumas expectativas de maior aumento associado ao aquecimento do mercado de commodities agrícolas pré-crise econômica. Parte dessa tendência está associada às ações implementadas pelo governo federal desde o final de 2007, que passou a envolver mais o setor produtivo no esforço de redução do desmatamento.

As principais ações do governo foram a restrição do crédito para propriedades que não comprovem conformidade com as regras ambientais (reserva legal, área de preservação permanente, autorização de desmatamento etc.) e fundiárias (propriedade legalizada), além do fortalecimento e foco mais concentrado nas ações de fiscalização e do compartilhamento de responsabilidades com estados e municípios. "A restrição de crédito coíbe efeitos ligados à grilagem de terra, principal responsável direto específico pelo desmatamento na Amazônia", afirma a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.

Para Denise Hamú, no entanto, "um desmatamento equivalente a duas vezes o tamanho do Distrito Federal é preocupante, uma vez que o WWF-Brasil defende o que foi estabelecido pelo Pacto pela Valorização da Floresta Amazônica e Redução do Desmatamento, que propõe ações concretas e conclama esforços governamentais e de toda a sociedade para reduzir a zero o desmatamento em sete anos". O Pacto é uma iniciativa de um conjunto de ONGs e as ações propostas têm custo estimado em R$ 1 bilhão por ano, relativamente barato se comparado a outros gastos governamentais ou investimentos e principalmente se comparado aos custos sociais (secas, enchentes, mortes, dificuldades econômicas etc.) que o desmatamento impõe a todos.

A secretária-geral do WWF-Brasil afirma ainda que é necessário adotar uma estratégia mais ampla de conservação. "Defendemos a definição de metas claras de redução no desmatamento, além de mecanismos econômicos e tributários que incentivem a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais e desestimulem as práticas predatórias", afirma.


Florestas e o clima
O desmatamento e as queimadas são responsáveis por 75% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa e, por causa da falta de cuidado com nossas florestas, o Brasil é o quarto colocado no ranking dos maiores contribuintes para o aquecimento do planeta.

As florestas armazenam carbono, refletem calor, ajudam a reter a água da chuva e trazem vários outros benefícios para os seres humanos e o meio ambiente. Por isso, a maioria dos cientistas que estudam o clima do planeta afirma que para evitar o aumento do aquecimento global é fundamental que o desmatamento seja detido.

Com a diminuição das taxas de desmatamento na região amazônica ocorrida nos últimos dois anos, a adoção de metas de redução das emissões pelo Brasil é factível. O estabelecimento de metas para redução de emissões oriundas do desmatamento colocaria o Brasil em posição de vanguarda nas negociações internacionais sobre clima, que ocorrerão em dezembro em Poznan, Polônia.

O superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, explica, ainda, que as ações de combate ao desmatamento devem seguir quatro eixos. O primeiro é a proteção efetiva de florestas, por meio da criação e implementação de unidades de conservação. O segundo é a promoção do uso sustentável dos recursos naturais, desenvolvendo capacidades nos estados para a gestão florestal. Em seguida, vêm as ações de fiscalização, para enfrentar ameaças de atividades ilegais associadas, por exemplo, à grilagem de terras, ao agronegócio e a grandes obras de infra-estrutura. Por último, estão as ações de compensação financeira para quem proteger a floresta.

"Reconhecemos algumas ações positivas do governo federal, mas defendemos algumas melhorias, particularmente a manutenção do processo de criação de unidades de conservação, um maior esforço na implementação das unidades já criadas, com alocação e formação de equipes para a gestão das áreas, e a implementação efetiva da nova política florestal, com o desenvolvimento de capacidades nos estados para a gestão florestal", afirma Scaramuzza.

Fundo Amazônia
O Fundo Amazônia, criado pelo governo em agosto deste ano, é uma importante política de viabilização do eixo de compensação financeira para quem protege a floresta. No entanto o WWF-Brasil defende que a aplicação dos recursos contemple a ponta da cadeia. "É imprescindível que os recursos cheguem ao terreno, por exemplo, às comunidades locais, proprietários de terras e áreas protegidas", afirma Scaramuzza. "Esperamos que a execução do Fundo Amazônia estimule a inovação, a criatividade, a experimentação e o envolvimento da sociedade civil, e que seja complementado por recursos públicos, em lugar de ser sugado para preencher lacunas de programas governamentais", completa.


Fonte: WWF - Brasil


Álbum (1)

Álbum de fotos (1)

Marcadores

Comentários



O alerta que vem do cerrado
O alerta que vem do cerrado
Campo Grande calcula sua pegada ecológica
Campo Grande calcula sua pegada ecológica
Pegada Hídrica incentiva o uso responsável da água
Pegada Hídrica incentiva o uso responsável da água
Código Florestal: Comissão do Congresso Nacional obtém unanimidade contra as florestas
Código Florestal: Comissão do Congresso Nacional obtém unanimidade contra as florestas
Tendência mundial das áreas protegidas é unir biológico e social
Tendência mundial das áreas protegidas é unir biológico e social
Escola de etnia Guató adota Cadernos de Educação Ambiental
Escola de etnia Guató adota Cadernos de Educação Ambiental
Mais de 30 entidades catarinenses pedem veto total ao novo Código Florestal
Mais de 30 entidades catarinenses pedem veto total ao novo Código Florestal
WWF-Brasil participa do programa de doação da American Express
WWF-Brasil participa do programa de doação da American Express
WWF-Brasil no projeto "Quartas Sustentáveis" da Universidade de Brasília
WWF-Brasil no projeto "Quartas Sustentáveis" da Universidade de Brasília
Expedição científica pode gerar novas descobertas para a Ciência
Expedição científica pode gerar novas descobertas para a Ciência
Encontros no Mato Grosso do Sul incentivam criação de reservas particulares
Encontros no Mato Grosso do Sul incentivam criação de reservas particulares
Brasil discute pecuária orgânica na BioFach América Latina
Brasil discute pecuária orgânica na BioFach América  Latina
WWF-Brasil apresenta Hora do Planeta 2011 no evento Planeta no Parque
WWF-Brasil apresenta Hora do Planeta 2011 no evento Planeta no Parque
Mudanças Climáticas: Plano Nacional é insuficiente para lidar com desafios brasileiros
Mudanças Climáticas: Plano Nacional é insuficiente para lidar com desafios brasileiros
Acampados às margens do Jari
Acampados às margens do Jari
“Vamos entupir o Planalto de cartas e e-mails”
“Vamos entupir o Planalto de cartas e e-mails”
Dia de Ação dos Blogs 15 de outubro de 2009
Dia de Ação dos Blogs 15 de outubro de 2009
WWF-Brasil estampa camisa oficial do Santos F.C.
WWF-Brasil estampa camisa oficial do Santos F.C.
WWF-Brasil assina nota de repúdio à proposta de acabar com a necessidade de licenciamento ambiental prévio
WWF-Brasil assina nota de repúdio à proposta de acabar com a necessidade de licenciamento ambiental prévio
Governos falham em coragem e ambição nas negociações climáticas da ONU
Governos falham em coragem e ambição nas negociações climáticas da ONU