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Segunda etapa de expedição tem mais desafios e pode mobilizar descobertas científicas no Amazonas e Mato Grosso




Por Denise Cunha

Muito mais desafiadora que a sua primeira fase, realizada em novembro de 2007 no setor sul do Parque Nacional do Juruena, ao norte do Mato Grosso, a segunda etapa da expedição científica Juruena é também considerada uma grande oportunidade para encontrar espécies, ainda não identificadas pela ciência, da flora e fauna amazônica. Desta vez, entre os dias 25 de fevereiro a 15 de março, cerca de 30 profissionais ligados a diferentes campos de atuação e instituições brasileiras reúnem informações sobre o setor norte da unidade de conservação, localizado entre o sudeste do Amazonas e o norte do estado do Mato Grosso.

Além de exigir um preparo logístico mais complexo, incluindo deslocamentos com longas distâncias, o trecho contemplado nessa etapa caracteriza uma área mais ampla da paisagem de transição entre os biomas Cerrado e Floresta Amazônica. Esse predicado, além de garantir especial beleza cênica (composta por lugares como o Pontal de Apiacás, Serra de Apiacás e o percurso do próprio Rio Juruena), é um dos grandes responsáveis pela riqueza e diversidade biológica de um lugar ainda pouco estudado. É também aquela que está sendo posta sob maior pressão de desmatamento, dado o avanço cada vez mais agressivo da fronteira agrícola, especialmente no norte do Estado de Mato Grosso.

O objetivo da expedição, que está sendo realizada sob a coordenação do Instituto Centro de Vida (ICV) e em parceria com o WWF-Brasil e com o Instituto Chico Mendes para a conservação da Biodiversidade (ICMBio), é dar continuidade à coleta de informações científicas que subsidiarão a construção do Plano de Manejo para o Parque Nacional do Juruena. A Avaliação Ecológica Rápida (AER) continuou a ser a metodologia aplicada para a aquisição dos dados sobre os aspectos físicos, biológicos e socioeconômicos da área, que são subsídios essenciais para a elaboração desse documento de grande auxílio à gestão da unidade. No entanto, devido às características do novo trecho a ser percorrido, a logística planejada para a atividade foi muito mais complexa que a anterior.

A pesquisa contempla o segmento entre o Rio São Tomé (afluente do rio Juruena, no Mato Grosso) até o trecho inicial do rio Tapajós (no Amazonas) e conta com a participação de uma equipe multidisciplinar composta por cinco piloteiros*, uma cozinheira e 16 pesquisadores de oito diferentes áreas temáticas (Artropodofauna, Ictiofauna, Herpetofauna, Ornitofauna, Mastofauna, Socioeconomia, Vegetação e Uso Público). Cinco analistas ambientais do ICMBio também acompanham as atividades. Além disso, a partir do próximo sábado, uma comunicadora e um fotógrafo do WWF-Brasil irão se juntar ao grupo para documentar a última etapa e os resultados parciais da iniciativa.

Segundo Marcos Pinheiro, técnico de conservação do WWF-Brasil e coordenador das ações da organização na região do Parque Nacional do Juruena, essa iniciativa tem papel fundamental na viabilização da implementação efetiva para o parque que, além de sua riqueza e importância em si, possui localização estratégica no Corredor de Conservação da Biodiversidade da Amazônia Meridional. Trata-se de um gigantesco mosaico de áreas protegidas que estende desde as margens do Rio Madeira, no norte de Rondônia e sul do Amazonas, até a bacia do Xingu, no Mato Grosso e Pará.

“Esta é uma ferramenta de conservação estratégica que tem um papel fundamental na contenção do avanço do desmatamento, funcionando como uma barreira ao deslocamento da fronteira agrícola do norte de Mato Grosso para as áreas relativamente bem conservadas do sul do Pará e sudeste do Amazonas. Nesse contexto, o Parque Juruena constitui uma peça-chave para impedir a entrada potencial do vetor de ocupação irregular de terras (grilagem) e desmatamento na ponta do extremo norte do Mato Grosso. Trata-se de uma ameaça muito concreta e atual”, afirmou Pinheiro.

Envolvendo moradores locais

A realização de três reuniões abertas com moradores de comunidades localizadas dentro e no entorno do parque é outra particularidade dessa nova etapa da expedição. Uma delas foi realizada na comunidade Pontal, no último dia dois de março. Outras duas devem acontecer nas comunidades Barra de São Manoel e Colaris, nos dias nove e dez de março, respectivamente.

Ministradas por analistas ambientais do Parque Nacional do Juruena, essa atividade se caracteriza como o primeiro contato oficial do ICMBio com os habitantes do local. Trata-se também de uma etapa importante para a construção do Plano de Manejo e também para a formação do conselho gestor da recém-criada unidade de conservação.

A idéia é envolver os principais grupos sociais – compostos por pessoas representativas das comunidades, lideranças e instituições ou organizações relacionadas com a unidade – com o objetivo de informá-los sobre o Plano de Manejo, obter informações sobre a área, conhecer as expectativas, avaliar a visão da comunidade sobre a unidade, além de identificar os prováveis participantes da Oficina de Planejamento, uma das próximas fases para a construção do plano.

Logística e infra-estrutura

Para que as atividades atingissem o sucesso esperado, uma infra-estrutura igualmente complexa foi providenciada. Dessa forma, parte da equipe (cinco piloteiros, uma cozinheira e alguns dos pesquisadores) viajaram 360km de Alta Floresta, no Mato Grosso, até a margem do rio Tele Pires a bordo de um caminhão Mercedes Bens de 1979 e de duas caminhonetes de menor porte, transportando também cinco motores de popa 25hp, cinco voadeiras (pequenos barcos de aluminho, comumente usados na região), um gerador, 25 tendas, equipamentos para pesquisa, além de muita comida. Em seguida, percorrendo cerca de 560 km no total, viajaram pelo rio Tele Pires até sua confluência com o rio São Tomé, onde havia um barco regional com capacidade para 30 pessoas que está servindo de base para as ações.

A embarcação foi levada, então, até a pousada Jurumé, já no rio Juruena, onde ocorreu o embarque dos demais participantes da expedição (pesquisadores, analistas ambientais e comunicadores) que chegaram de avião - um monomotor com capacidade para cinco pessoas - até o local, seguindo com o restante da equipe para mais dois pontos para coletar dados: comunidade Barra de São Manoel - localizada às margens do rio Juruena – e a parte inicial do rio Tapajós, ponto final da atividade onde ainda estão ancorados.


Fonte: WWF - Brasil


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