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Relatório da ONU é alerta para as negociações de clima de Durban




Relatório da Organização das Nações Unidas divulgado no dia 23 de novembro mostra que os esforços globais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa estão fora dos trilhos no que diz respeito à necessidade de os líderes globais fazerem progresso real nas negociações de clima que começam esta semana em Durban, África do Sul, de acordo com o WWF.

O relatório Bridging the Emissions Gap (Reduzindo as lacunas de emissões) foi publicado pela autoridade mundial em temas ambientais, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e chega a conclusões graves sobre a situação dos esforços de redução das emissões globais, além de apontar caminhos para resolver o problema.

Samantha Smith, líder da Iniciativa Global Clima e Energia do WWF, afirmou: "Esse relatório deveria servir como um choque de realidade para os negociadores que estão indo a Durban para as negociações de clima. O relatório mostra claramente que o mundo está se dirigindo a níveis muito perigosos de mudanças climáticas a menos que sejam tomadas medidas decisivas imediatamente. A boa notícia é que o PNUMA confirma que ainda podemos voltar para o caminho correto se agirmos rápido para acabar com o desmatamento e adotarmos fontes renováveis de energia. As lacunas não são técnicas ou econômicas – são lacunas de vontade política e liderança".

"De forma realista, ninguém espera que os governos eliminem essas lacunas completamente em Durban, mas eles devem ao menos evitar que essas lacunas sejam ampliadas por acordos que enfraqueçam as regras de contabilização de carbono. Nós já estamos no fundo do poço e agora é hora de parar de cavar cada vez mais fundo".

O relatório aponta que as emissões globais até 2020 devem ser reduzidas a 44 GtCO2e – bem abaixo dos níveis atuais – para que tenhamos alguma chance de manter o aumento da temperatura na terra abaixo dos 2oC.

No entanto, ainda que as promessas mais ambiciosas dos governos sejam plenamente implementadas, as emissões ficarão 6 GtCO2e acima desse nível – quase o equivalente às emissões anuais dos Estados Unidos. Na prática, essa diferença é ainda maior – de até 11 GtCO2e – por causa dos fracos compromissos e das brechas na contabilidade de carbono nas metas dos países desenvolvidos.

O PNUMA também conclui que ainda é possível diminuir essas lacunas até 2020 e manter os níveis de aquecimento entre 1,5oC e 2oC, por meio da eficiência energética, da promoção da energia renovável, da redução do desmatamento e do aprimoramento das práticas de agricultura. Ações para diminuir emissões da aviação internacional e de navios, que atualmente não são reguladas, também poderiam ajudar.

Com base no relatório, todos os países podem e devem fazer mais para diminuir essas lacunas, de acordo com o WWF. A prioridade deve ser ampliar a credibilidade das ações dos países desenvolvidos ao eliminar as falhas na contabilidade de carbono e nivelar as ambições de combate às mudanças climáticas com as evidências científicas. Por exemplo, a União Europeia deve aceitar que seu compromisso atual de cortar suas emissões em apenas 20% até 2020 está ampliando as lacunas. Os Estados Unidos, que ainda não têm um plano factível nem mesmo para alcançar sua fraca meta de redução, precisam adotar um.

Notas aos editores

O WWF acredita que nas negociações de clima de Durban, que começam no dia 28 de novembro, os governos podem adotar ações concretas para começar a eliminar essas lacunas:
a.    Devem acordar regras estritas para a contabilidade de emissões provenientes do uso da terra e do manejo de florestas e estabelecer limites para o uso das permissões de emissões extras obtidas no primeiro período dos compromissos do Protocolo de Quioto.
b.    Devem eliminar claramente a contagem dupla de créditos de carbono, tanto para as metas dos países desenvolvidos, quanto para as metas voluntárias dos países em desenvolvimento. Devem também eliminar balanços de emissões que não representam reduções reais e não promovam o desenvolvimento sustentável.
c.    Devem fazer acordo sobre a necessidade de que as emissões globais atinjam seu pico em 2015 e que em 2050 sejam 80% menores do que os níveis globais de 1990.
d.    Devem acordar novas e inovadoras fontes de financiamento (como um mecanismo internacional para aviação e navegação) que possam ajudar a financiar esforços de redução de emissões e adaptação aos impactos do clima em países em desenvolvimento.
e.    Devem fazer acordo sobre um segundo período de compromisso com o Protocolo de Quioto e estabelecer um mandato claro para um acordo com força de lei e um cronograma que não elimine a possibilidade de um pico de emissões cedo.


Fonte: WWF - Brasil


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