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Rede WWF: Líderes mundiais precisam acolher meta de desmatamento zero até 2020




A Rede WWF vai participar do XIII Congresso Florestal Mundial, que será realizado entre 18 e 23 de outubro, em Buenos Aires (Argentina), para destacar a urgência de um compromisso entre os líderes mundiais com a meta de desmatamento zero até 2020.

Essa meta abrange tanto o problema de mudanças climáticas quanto o alarmante declínio na diversidade biológica. A meta demanda ação urgente para a redução das emissões de gases de efeito estufa geradas por desmatamento e também para salvar a riqueza natural representada pelas florestas que ainda restam no mundo. Apesar de todos os esforços direcionados à conservação, o desmatamento continua num ritmo assustador. Esse processo gera quase 20% das emissões globais de gases de efeito estufa.

“O WWF está propondo ‘Desmatamento zero até 2020’ para estabelecer um referencial global que pode ser usado para aferir o progresso na redução de perdas de florestas” disse Rodney Taylor, diretor do programa Florestas do WWF-Internacional, que realizará palestra sobre esse tema em evento paralelo durante o congresso. “O mundo tem que alcançar essa meta para evitar mudanças climáticas fora de controle e uma diminuição catastrófica da biodiversidade”.  

Conforme Taylor, o WWF pretende convidar os participantes do congresso, particularmente aqueles que são membros da Collaborative Partnership on Forests (Parceria Colaborativa em Assuntos Florestais), a endossarem a meta de desmatamento zero até o ano 2020 e a meta complementar referente às emissões, que reforça a necessidade de um novo acordo global sobre o clima, oferecendo incentivos à Redução de Emissões por Desmatamento e pela Degradação florestal (REDD).

“Estamos chamando os líderes dos setores florestais e ambientais para apoiarem essa meta global e trabalharem juntos num esforço para coibir o desmatamento e deter as mudanças climáticas,” disse Taylor.

Para tanto o WWF promoverá evento paralelo onde os governos da Argentina, do Brasil e do Paraguai anunciarão acordo de colaboração para coibir o desmatamento da Mata Atlântica nos três países.

O WWF também acredita que o setor privado precisará realizar um esforço coordenado e mostrará como está apoiando as empresas na promoção do manejo florestal sustentável por meio de programas como a Rede Global de Floresta e Comércio (WWF – GFTN), e o projeto New Generation Plantations (Plantações de Nova Geração).

Taylor vai liderar a delegação WWF no Congresso Florestal Mundial, que é realizado de seis em seis anos, e reúne governos, setor privado e gerentes florestais, para apresentar um panorama da situação atual das florestas e das atividades florestais e assim identificar tendências, ajustar políticas e promover a conscientização sobre a importância da manutenção das florestas.

A Rede WWF está clamando por uma política de desmatamento zero até 2020 por que:

  • O desmatamento traz consequências nefastas para a biodiversidade, o clima e as pessoas;
  • A meta vai potencializar os esforços internacionais e os processos associados à conservação da biodiversidade, à mitigação das mudanças climática, e à proteção e manejo sustentáveis das florestas;
  • Para prevenir contra mudanças climáticas totalmente fora de controle, as emissões de gases de efeito estufa têm que parar de aumentar antes de 2020 e diminuir até 2050 para um nível 80% mais baixo do que o nível aferido em 1990;
  • Se houver uma redução anual de 10% no atual índice de desmatamento, a meta de desmatamento zero poderá ser alcançada até o ano 2020;
  • É previsto que a entrada em operação do mecanismo de Redução de Emissões do Desmatamento e pela Degradação florestal (REDD) coincidirá com o início da segunda fase de compromisso do Protocolo de Quioto em 2013. Assim haverá um período de oito anos nos quais eles contribuirão para o alcance da meta estabelecida para 2020.

Meta no Brasil é até 2015

As metas são mais ambiciosas para o Brasil, considerando a representação das emissões de gases do efeito estufa no país – 75% oriundos do desmatamento –, e a situação crítica de perda de biodiversidade na Mata Atlântica. “Estamos defendendo desmatamento zero até 2015 em todo Brasil e já em 2010 para a Mata Atlântica”, afirma Cláudio Maretti, superintendente de Conservação do WWF-Brasil.”

Signatário da Convenção da Diversidade Biológica das Nações Unidas, o país assumiu o compromisso de redução significativa das atuais taxas de perda da biodiversidade até 2010. “No caso da Mata Atlântica sobrou tão pouco que se adotarmos os 7% remanescentes para cumprimos os objetivos médios internacionais, deveríamos ter 10% do bioma protegido, ou seja teríamos que recuperar outros 3%”.

Conforme Maretti, o objetivo é apoiar o governo federal na definição dos mecanismos para que a meta seja alcançada a exemplo das medidas que constam nos plano de prevenção e combate ao desmatamento para a Amazônia e, agora, ao Cerrado, como a criação de áreas protegidas, aumento da fiscalização, o fomento às atividades de uso sustentável e a restrição do crédito para agronegócio em situação irregular.

Os técnicos Mauro Armelin, coordenador do programa de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, e Luciana Simões, coordenadora do programa Mata Atlântica do WWF-Brasil fazem parte da delegação da Rede WWF no Congresso Mundial Florestal.

Mata Atlântica – Um emblema de mudança

Para as áreas de Mata Atlântica, o alcance da meta de desmatamento zero representará a extinção de uma ameaça severa a essa floresta altamente fragmentada. A Mata Atlântica é o lar de uma variedade extraordinária de plantas e animais. Abriga mais de 20.000 espécies de plantas – das quais 8.000 não são encontradas em nenhum outro lugar – 1.000 espécies de aves, 372 de anfíbios, 350 tipos de peixe, 197 de répteis a  270 espécies de mamíferos.

Originalmente, a extensão da Ecorregião do Alto Paraná abrangia 500.000 quilômetros quadrados, distribuídos entre Brasil, Paraguai e Argentina. Hoje mantém apenas 7,4%, ou seja, em torno de 35.000 quilômetros quadrados. No Brasil, a Ecorregião da Serra do Mar, por sua vez, perdeu mais da metade de sua área de 127.411 quilômetros quadrados, restando atualmente 56.356 quilômetros quadrados. Essas são duas das quinze ecorregiões que formam o bioma Mata  Atlântica, uma das florestas subtropicais mais ameaçadas do mundo.

A expansão da agricultura, o crescimento das cidades, obras de infraestrutura e a exploração insustentável da floresta resultaram no desmatamento em vasta escala da Mata Atlântica.


O que é o mecanismo REDD?


Redução de Emissões do Desmatamento e pela Degradação florestal (REDD) é um mecanismo para provisão de incentivos, em escala global, à conservação das florestas em lugar de sua conversão. Além de ajudar diretamente na abordagem do problema de como conseguir uma redução de 20% nas emissões de gases de efeito estufa, criadas pela derrubada de florestas tropicais, a implementação do REDD pode trazer benefícios enormes para os governos nacionais de países em desenvolvimento e suas comunidades locais, dependentes das florestas, e ao mesmo tempo, conduzir à conservação florestal.

Sob a influência do REDD o sistema de avaliação de florestas atualmente em vigor no mercado seria transformado para levar em consideração a quantidade de carbono armazenada por estas florestas. Essa transformação constituiria uma nova base para o desenvolvimento econômico pela qual as florestas valeriam muito mais vivas do que mortas.

A redução de emissões originadas do desmatamento e da degradação de florestas poderá ser compensada pelo pagamento de créditos de carbono. A provisão de incentivos financeiros para o carbono florestal oferece a possibilidade de tornar a conservação de florestas mais viável economicamente. Potencialmente, o REDD poderá se tornar uma das primeiras manifestações em grande escala de mecanismos para o pagamento de serviços ambientais.

REDD é um componente essencial para o alcance da meta de desmatamento zero até 2020. A proposta foi feita pela primeira vez pela Coalition of Rainforest Nations (Coalizão das Nações com Florestas Tropicais) encabeçada por Costa Rica e Papua Nova Guiné, em 2005, e recebeu apoio em Bali ,em 2007. Se o REDD for adotado na Cúpula de Copenhague sobre Clima, em dezembro, poderá mobilizar o financiamento internacional para pagar os países para reduzir e por fim à perda de florestas.

 


Fonte: WWF - Brasil


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