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Quem tem medo de sexta-feira 14 na COP13???




Por Mauro Armelin

Sexta, o dia que não acabou da COP13. Os delegados não conseguiram chegar ao consenso em torno do tão falado “mapa do caminho” (que de tão importante deveria ser chamado de “mapa da mina”). Afinal, fazer um mapa onde os caminhos não levam a nada, não faz o menor sentido.

O que alguns países queriam era produzir um texto com os passos para se chegar ao novo regime após 2012 sem data para o final das discussões e muito menos com metas de redução que deveriam perseguir. Mas por que isso é tão importante? Para deixar claro para todo o mundo desde já quando e sob que condições mínimas teremos um novo acordo para depois da primeira etapa de Kyoto.

Sim, o balanço é positivo, mas ainda estamos correndo riscos. Conseguimos incluir florestas no como tema de discussão da convenção e, quem, sabe no Protocolo. O governo brasileiro apresentou uma metodologia simples de quantificação das emissões baseado no sistema de monitoramento de desmatamento. Pelo menos duas coisas que sabemos fazer melhor do que ninguém no mundo é DESMATAR e MONITORAR o estrago.

Sempre vale lembrar que o primeiro mandato do atual presidente da República foi responsável por nada menos que 85.000 Km2, campeão disparado do desmatamento. Porém, o estrago começou a ser consertado com uma reação no “segundo tempo” (ou mandato), em muito ajudada pelas condições do mercado das commodities agrícolas. Por isso está conseguindo virar o jogo e já reduziu os índices em cerca de 50%. Vamos agora torcer para que a redução continue com o mesmo impulso e que as tão desejadas metas (claras e verificáveis) sejam estabelecidas, como prometeram aqui nossos representantes do Ministério do Meio Ambiente.

No mais, sobre os riscos que coloquei acima, estamos agora (eu, Mariana Ramos e nosso colega do WWF-China Cai Tao) sentados no chão da plenária principal, onde esperançosamente nos instalamos para sua reabertura. O presidente da Convenção, ministro do Meio Ambiente da Indonésia, após um rápido discurso, passou a palavra para os representantes do governo da Índia, que rapidamente se opuseram a redação de um parágrafo. Mas, o pior ainda estava por vir. A CHINA pediu para falar e jogou uma bomba: se opôs não a um parágrafo ou outro, mas simplesmente anunciou que o documento que foi previamente acordado é INACEITÁVEL!!!!!!!

Nesse meio tempo nosso colega Cai Tao faz uma piada sobre a situação, coisa que pode ser traduzida da seguinte forma: “.....pra vocês verem o quanto nós, chineses, somos legais. Estamos dando pra todos aqui a oportunidade de um intervalo para ir ao banheiro e tomar café! Sempre estamos pensando nas boas condições de trabalho....”.

Bom, estamos ainda aqui esperando o desfecho, sentados no chão e imaginando como será boa a volta pra casa.


Fonte: WWF - Brasil


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