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Programa Madeira é Legal comemora dois anos de bons resultados




Evento aconteceu nesta quarta (29/06), em SP, com representantes de governos, sociedade civil e setor produtivo. Foram lançadas duas publicações sobre sustentabilidade na cadeia produtiva madeireira. Sérgio Besserman, conselheiro do WWF-Brasil, fez a palestra de abertura.

Bruno Taitson, de São Paulo

São Paulo tem conseguido reduzir de forma significativa a entrada e a comercialização de madeira ilegal no estado nos últimos anos, segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente do Estado e da Polícia Militar Ambiental. O programa Madeira é Legal, lançado em 2009, tem dado uma importante contribuição para a legalização progressiva da cadeia madeireira no território paulista.

Nesta quarta, 29 de junho, foi realizado um seminário na capital, para mostrar à sociedade os resultados da iniciativa, que busca incentivar e promover o uso da madeira de origem legal e certificada na construção civil no Estado e no Município de São Paulo. As instituições que participam do Programa também lançaram duas publicações, que buscam contribuir para a construção de cadeias produtivas madeireiras sustentáveis, desde a floresta até o ponto de venda.

O economista Sérgio Besserman, conselheiro do WWF-Brasil, fez a palestra magna do evento. Ele destacou a crise ambiental sem precedentes vivida pela humanidade e elogiou o programa Madeira é Legal. “É uma iniciativa extraordinária. As diferenças entre produtos certificados e não-certificados estão sendo mostradas, bem como a necessidade de se pagar mais pelo que é sustentável. Trata-se de construir uma nova precificação de produtos em função de uma visão estratégica”, avaliou.

Também foram lançadas duas publicações. O guia Aquisição responsável de madeira na construção civil, assinado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (SindusCon-SP) e pelo WWF-Brasil, mostra com números e informações técnicas a importância da utilização de madeira de origem legal ou, idealmente, certificada, no setor da construção. As experiências positivas do Madeira é Legal também são relatadas pelos representantes das instituições envolvidas no programa.

A FGV apresentou para o público o livro Madeira de ponta a ponta: o caminho desde a floresta até o consumo. Segundo Malu Villela, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces), o objetivo da publicação é apresentar um diagnóstico do segmento madeireiro no Brasil. “O livro revela a diversidade de fraudes na cadeia de produção, transporte e comercialização da madeira, bem como iniciativas e boas práticas que se disseminam”, afirmou.

Lilian Sarrouf, coordenadora técnica do Comitê de Meio Ambiente (Comasp) do SindusCon-SP, entende que, se a construção civil consumir produtos madeireiros de forma consciente, abandonará de vez a imagem de vilão do desmatamento e passará a ser o setor que mais contribui para proteger a floresta. “Estamos nesse caminho. Madeira legal é obrigação, o próximo passo é a madeira certificada, que já sabemos que é viável”, avaliou.

Francisco Antunes Vasconcelos Neto, vice-presidente de meio ambiente do SindusCon-SP, ressaltou o aspecto multissetorial do programa. “Soluções para problemas de alta complexidade têm, necessariamente, que ser desenvolvidas em conjunto”, disse.

Ele também entregou, a representantes das construtoras Barbara, DMO, EBM, Inmax, Tarjab, e Tecnisa, certificados de adesão à Rede Global de Floresta e Comércio (GFTN). A GFTN congrega, em todo o mundo, cerca de 400 organizações comprometidas com o manejo e consumo responsável de produtos florestais, abrindo mercados internacionais para seus associados.

Entre os resultados do Madeira é Legal também está a capacitação de diversos atores envolvidos, direta ou indiretamente, na cadeia produtiva madeireira. Houve treinamentos para centenas de policiais militares ambientais, para que o processo de fiscalização da entrada e venda de madeira ilegal fosse aprimorado. Empresários e representantes de construtoras também foram capacitados.

De acordo com Dimitrios Paleologos, vice-presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Madeiras do Estado de São Paulo (Sindimasp), os cursos e palestras ministrados para madeireiros no âmbito do Madeira é Legal têm sido de grande importância. “A desinformação no setor é grande, por isso é fundamental disseminar as práticas legais e corretas. Para o madeireiro, o desmatamento é péssimo. Se acabarem as florestas, acaba o nosso negócio”, observou.

Carlos Beduschi, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, apresentou os resultados do Cadmadeira, cadastro que registra e atesta a legalidade dos comerciantes de madeira nativa no estado. “Existem mais de 300 empresas cadastradas. Desde junho de 2009 é obrigatório fazer parte desse cadastro para participar de processos de compras públicas envolvendo produtos madeireiros”, explicou Beduschi.
Malu Villela, do GVces, acrescentou que um importante desafio é acrescentar, em nível nacional, critérios de sustentabilidade nas aquisições governamentais de madeira. “É fundamental que a lei 8.666 [lei que rege as licitações no país] passe a incluir a certificação entre critérios de compras. Seria um passo muito importante a ser dado”, concluiu.
Também participaram do seminário o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, o gerente do Programa Nacional de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Hélio Pereira, e Márcio Nahuz, pesquisador do Centro de Tecnologia e Recursos Florestais do IFT.
São signatárias do programa Madeira é Legal as seguintes organizações: governos estadual e Municipal de São Paulo, Sindicato da Indústria da Construção Civil de Grandes Estruturas do Estado de São Paulo (SindusCon–SP), a Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (APEOP), a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), o WWF-Brasil, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVCes), o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), a Associação de Produtores Florestais Certificados na Amazônia (PFCA), o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (SECOVI-SP), a Associação de Pequenas e Médias Empresas de Construção Civil do Estado de São Paulo (APeMEC), o Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (FSC Brasil), o Sindicato do Comércio Atacadista de Madeiras do Estado de São Paulo (SINDIMASP), a Associação Nacional dos Produtores de Pisos de Madeira (ANPM), o Sindicato da Indústria do Mobiliário de São Paulo (SINDIMOV), a Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (AELO), a Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), o Instituto de Engenharia, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO), o ICLEI - Governos Locais pela Sustentabilidade, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), e o Instituto São Paulo Sustentável (Movimento Nossa São Paulo). O programa permanece aberto para novas adesões.


Fonte: WWF - Brasil


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