Aguarde...

Pesquisadores encontram espécies que podem ser novas para a ciência




Por Ana Cíntia Guazzelli e Cláudio Maretti

Uma espécie desconhecida de copaíba, duas de pererecas, dois peixes diferentes, um novo registro para primata e uma ave de ocorrência na caatinga e no cerrado, que ainda está sendo descrita. Este foi o saldo preliminar das pesquisas de campo realizadas de um a três dias por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (SDS-AM), nas unidades de conservação do sul do estado, que compõem o Mosaico do Apuí, onde a Expedição Juruena-Apuí realiza sua terceira e última fase. Hoje à noite, estes cientistas se reuniram com os quatro pesquisadores que acompanham a expedição e com seus integrantes, para trocas de impressões e informações, na localidade de Terra Preta, junto ao rio Sucunduri, estado do Amazonas.

A ocorrência de algumas espécies de plantas e animais endêmicas (típicas da região) já era esperada pela maioria dos pesquisadores na área visitada. Isso porque a região tem ambientes particulares para a Amazônia, tanto por ser transição de biomas, como por ter vários ambientes definidos por limites do substrato e do solo. Além disso, quase não sofre pressão humana o acesso é difícil e principalmente por ela ter sido até o momento pouquíssimo estudada.

O biólogo Fabiano Waldez, da Rede de Conservação do Amazonas, da Secretaria Executiva Adjunta de Programas Especiais (Seape), da SDS-AM, está responsável pela pesquisa de sobre os anfíbios e répteis. Em quatro dias de trabalho, ele encontrou 11 espécies de lagartos, 1 de jacaré e 16 de sapos, no geral comuns. Dois destes, entretanto, ainda desconhecidos por ele. “A área é promissora”, garantiu. O que mais impressionou Fabiano foi o tamanho do jacaré-pedra Paleosuchus trigonatus encontrado. “Dificilmente vemos estes animais com mais idade, isto porque, em geral, são caçados ainda jovens. Aqui é diferente”, disse.

Já Charles Zartman, pesquisador de botânica do Inpa, com sua equipe, coletou uma espécie de copaíba Copaifera sp. que aparentemente é nova: “ninguém da equipe soube identificar”, afirmou. Foi Sebastião Salvino de Souza quem chamou a atenção dos demais. Charles ressaltou ainda que 60% das espécies de plantas encontradas na vegetação denominada campinarana e na terra firme da área estudada puderam ser identificadas. Eles amostram tudo, mas “os outros 40 % precisarão das coletadas para serem analisadas e identificadas”, explicou.

O rio Sucunduri também se apresentou riquíssimo em espécies de peixes, segundo a pesquisadora Lúcia Happ. Ela desconhece duas das várias coletadas e garantiu que ficou impressionada com a falta de presença humana. “Foi a área mais remota que já trabalhei. Parece que não tem nenhuma pressão antrópica. A área é extraordinária e possui um potencial fantástico”. O rio Sucunduri está praticamente todo dentro da área protegida.

Para o ornitólogo Mário Kohn-Haff, do Inpa, apesar da coleta de uma ave que ainda está sendo descrita, Herpsilochmus selloe, e que ocorre geralmente na caatinga e no cerrado, a região não guarda grandes novidades com relação aos passarinhos. “A diversidade de aves aqui é baixa, pelas próprias características de grande variabilidade de ambientes, sem espaço suficiente, e pela não ocorrência de florestas amazônicas mais densas e típicas. Não espero grandes surpresas”, disse. Ele acredita que o relevo acidentado encontrado entre as bacias dos rios Tapajós e Madeira pode ser uma barreira natural para as aves, sendo que aquelas que ocorrem em uma bacia, não necessariamente aparecerão na outra.

O pesquisador de primatas autônomo, Maurício de Almeida Noronha, assim como Mário, também esperava que a serra do Sucunduri fosse um divisor para a fauna de micos, o que tem sido confirmado até agora. Ele identificou nesta etapa de campo o primeiro registro de uma espécie para o Amazonas, o mico (sagüi) Mico melanuro (que já foi descrito no Centro-Oeste e países vizinhos) e o 3º registro ao sul do rio Amazonas para o macaco-aranha (que tem cara preta, com triângulo vermelho no nariz e na boca) Ateles chameki.

Cachoeira de Monte Cristo

Os pesquisadores que vêm desde Mato Grosso fizeram suas próprias incursões por esta área do mosaico do Sucunduri. A área mais especial identificada foi a corredeira de Monte Cristo. Considerado local de grande concentração de animais, eles não esperavam tanta diversidade e tanta quantidade. Avistaram várias antas, catetos, e revoadas de psitacídeos, ou "aves de bico torto", como muitos chamam.

Terra Preta

A corredeira Monte Cristo fica a cerca de 2,5 horas subindo o rio Sucunduri, a partir da localidade de Terra Preta. Esta, na verdade, é uma sede de uma ocupação, não legalizada, com vínculos com interesse minerário. Aqui estabelecemos nosso acampamento por vários dias.


Fonte: WWF - Brasil


Álbum (3)

Álbum de fotos (3)

Marcadores

Comentários



Brasil tem a maior área certificada FSC da América Latina
Brasil tem a maior área certificada FSC da América Latina
Conheça mais sobre o Salto Augusto
Conheça mais sobre o Salto Augusto
Nova revista do WWF-Brasil. Ajude a nomeá-la.
Nova revista do WWF-Brasil. Ajude a nomeá-la.
WWF-Brasil disponibiliza resultados de oficina sobre adaptação
WWF-Brasil disponibiliza resultados de oficina sobre adaptação
Sociedade brasileira contra o aquecimento global
Sociedade brasileira contra o aquecimento global
Amazônia precisa de novo modelo de desenvolvimento
Amazônia precisa de novo modelo de desenvolvimento
Comitê Rio em Defesa das Florestas lota teatro Tom Jobim no Jardim Botânico
Comitê Rio em Defesa das Florestas lota teatro Tom Jobim no Jardim Botânico
Expedição chega ao seu destino com todos bem
Expedição chega ao seu destino com todos bem
Fotógrafos de natureza: profissionais que também compõem os doze anos de história do WWF-Brasil
Fotógrafos de natureza: profissionais que também compõem os doze anos de história do WWF-Brasil
Mata Atlântica discute conservação transfronteiriça
Mata Atlântica discute conservação transfronteiriça
Senado aprova urgência mas, voto, só na terça
Senado aprova urgência mas, voto, só na terça
WWF-Brasil participa como jurado da final brasileira da Imagine Cup 2008
WWF-Brasil participa como jurado da final brasileira da Imagine Cup 2008
Acre: DVD e livro coroam sucesso da Feira do Pirarucu
Acre: DVD e livro coroam sucesso da Feira do Pirarucu
Proposta encaminhada pelo movimento socioambiental ao Ministro Antonio Palocci sobre o Código Florestal
Proposta encaminhada pelo movimento socioambiental ao Ministro Antonio Palocci sobre o Código Florestal
WWF-Brasil lança publicação voltada para madeira legal
WWF-Brasil lança publicação voltada para madeira legal
Negociações de clima: hora de mostrar vontade política
Negociações de clima: hora de mostrar vontade política
Ambientalistas rejeitam, em nota conjunta, texto de Projeto de Lei que altera Código Florestal
Ambientalistas rejeitam, em nota conjunta, texto de Projeto de Lei que altera Código Florestal
Capacitação qualificará gerenciamento de áreas protegidas no Cerrado
Capacitação qualificará gerenciamento de áreas protegidas no Cerrado
Presidente da Associação Amor-Peixe participa de encontro com Lula
Presidente da Associação Amor-Peixe participa de encontro com Lula
Curso de extensão da UFMS tem módulo sobre Pegada Ecológica
Curso de extensão da UFMS tem  módulo sobre Pegada Ecológica