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Orçamento de carbono global é necessário para conter mudanças climáticas, diz relatório da Rede WWF




Bangcoc, Tailândia – Novo relatório da Rede WWF, lançado hoje em Bangoc durante a rodada de negociações climáticas das Nações Unidas, revela que um rigoroso orçamento global de carbono, dos dias atuais até 2050, baseado em uma justa distribuição entre nações ricas e em desenvolvimento, pode impedir drásticas alterações climáticas e manter o aumento da temperatura bem abaixo de 2ºC.

Intitulado “Compartilhando esforços em um orçamento global de carbono” (Sharing the effort under a global carbon budget, em inglês), o relatório, fruto de pesquisas, cálculos e análises realizados pela consultoria Ecofys, apresenta diferentes formas de cortar as emissões globais em pelo menos 80% até 2050, e em 30% até 2030, em comparação aos níveis de 1990.

De acordo com essa análise, o orçamento de carbono total (a quantidade de emissões globais de gases do efeito estufa toleráveis ao longo de um período de tempo) tem de ser definido em aproximadamente 1.600 gigatoneladas de CO2 equivalentes, para o período entre 1990 e 2050.
Como uma grande parcela destes gases já foi emitida globalmente, o balanço da atualidade até 2050 é reduzido para 970 gigatoneladas de CO2.de equivalentes – o que não inclui as emissões oriundas do desmatamento e degradação florestal e a retirada de gases da atmosfera em função do crescimento e regeneração de florestas ao redor do planeta.

Métodos – Para se reduzir as emissões, o relatório indica três diferentes caminhos, com a descrição de três métodos diferentes que podem ser aplicadas na justa e equitativa distribuição dos ônus e benefícios do orçamento global de carbono.
  • O GDR, ou Direitos de Emissão de Gases de Efeito Estufa por Nível de Desenvolvimento, indica que todos os países precisam reduzir as emissões abaixo do nível da tendência de crescimento atual com base em suas emissões per capita, limites de pobreza e PIB (Produto Interno Bruto) per capita.
  • C&C, ou Sistema Contração e Convergência, indica que as cotas per capita convergem do nível atual de cada país para um nível igual para todos os países dentro de um determinado período.
  • O CDC, ou Sistema Convergência Comum, mas Diferenciada, indica que as emissões per capita dos países desenvolvidos convergem para um patamar igual para todos os países, e dos outros países convergem para o mesmo nível quando suas emissões per capita atingirem uma média global.
O relatório diz que, até 2050, o método GDR determina que as nações desenvolvidas (países listados no Anexo I do Protocolo de Kyoto) reduzam as emissões coletivamente em 157%. Considerando que não podem cortar emissões domésticas em mais de 100%, precisarão financiar as reduções de emissões em outros países para alcançar seu total.

Caminhos para nações em desenvolvimento - Os diferentes métodos oferecem diversas opções para os países não listados no Anexo I. Embora o GDR permita um aumento para a maioria dos países em desenvolvimento, ao menos no período inicial, os dois outros métodos dão menos margem para o aumento das emissões. Por exemplo, pelas metodologias C&C e CDC, até 2050 ao Brasil caberia fazer uma redução de pelo menos 73%, a China de 70% e a Índia, entre 2 e 7%, em comparação com 1990.

Os países mais pobres teriam permissão para continuar a aumentar as emissões até pelo menos 2050 segundo o sistema GDR, mas seriam obrigados a reduzir após 2025 se as outras duas opções de distribuição fossem adotadas.

Entretanto, atualmente não é possível considerar, nos diferentes métodos de análise, o papel das emissões de gases do efeito estufa associadas ao desmatamento e a degradação florestal e a retirada de gases da atmosfera em função do crescimento e regeneração de florestas. Isso ocorre pelo elevado grau de incerteza sobre o comportamento desse e de outros ecossistemas no balanço de carbono. O estudo assume valores totais para estes dois fatores, onde as emissões relacionadas a florestas diminuem ate 2020, chegando a zero e o sequestro de carbono da atmosfera passa a acontecer a partir de 2030.

"Entender o papel da vegetação tanto na sua dimensão espacial como temporal no balanço total de carbono é essencial para países com vastas extensões florestais, como o Brasil, Rússia e Estados Unidos" afirma o Superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, completando: "A inclusão de florestas nestas análises poderia modificar a distribuição das reduções entre os países. É uma possibilidade relevante para quem tem emissões ou remoções elevadas neste setor, mas requer melhorar significativamente a qualidade das informações através da implementação de redes de pesquisa ecológicas de longo prazo sobre a ciclagem do carbono e do lançamento de satélites capazes de mapear fontes e sumidouros de carbono nos ecossistemas como o Observatório Orbital para o Carbono que infelizmente não conseguiu entrar em orbita em fevereiro passado".


Fonte: WWF - Brasil


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