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Observem os sinais dos tempos, diz WWF aos negociadores reunidos em Bonn




Delegados reunidos em Bonn, Alemanha, para mais uma rodada de negociações sobre mudanças climáticas, entre 06 e 17 junho, precisam levar muito a sério os últimos acontecimentos relacionados a clima e energia enquanto buscam caminhos para que se definam soluções justas, ambiciosas e com força de lei para o problema das mudanças climáticas globais.
 
Após o terrível desastre em Fukushima, no Japão, alguns países, como Suíça e Alemanha, de forma muito responsável, começaram a discutir a eliminação progressiva do uso de energia nuclear para produção de eletricidade, olhando para as alternativas limpas e de baixo impacto para suprir suas necessidades. Por outro lado, as emissões globais de gases de efeito estufa atingiram um patamar recorde em 2010 e eventos climáticos extremos têm afetado cada vez mais parcelas significativas da população mundial.
"Os exemplos de Suíça e Alemanha devem servir de inspiração aos negociadores reunidos em Bonn. Grandes mudanças são possíveis e eles também podem chegar a decisões que provoquem as mudanças significativas positivas de que o mundo precisa", afirmou Tasneem Essop, líder da delegação da Rede WWF presente à negociação de clima em Bonn.
 
"As emissões globais de gases de efeito estufa ameaçam fugir do controle, e para que se evite isso, precisamos usar a energia mais eficientemente e investir em energias renováveis ??em grande escala." Bonn é uma reunião crucial no caminho para a próxima Conferência das Partes (COP 17) de Clima, a ser realizada em Durban, África do Sul entre 28 de novembro e 9 de dezembro deste ano. Para a Rede WWF, é necessário que se chegue a avanços e acordos significativos em Bonn, a fim de que poderão então ser aprofundados e concluídos com sucesso em Durban.
 
Para a rede WWF, os temas mais urgentes nas negociações em Bonn são:
 
  1. Fechar a lacuna entre promessas e a realidade: Apesar de os países terem assumido em Cancún o compromisso de limitar o aumento de temperatura global abaixo dos 2 ºC, a soma de todos as metas de redução de emissões informadas até o momento levariam a um aumento da temperatura média de nosso planeta de 3 a 4 °C. "A grande questão é como os países industrializados irão se comprometer com novas e mais ambiciosas reduções de emissões de gases de efeito estufa a partir de 2013 e o que pode ser feito para melhor apoiar o desenvolvimento de baixo carbono em países em desenvolvimento", afirma Tasneem Essop. "Em Bonn, os países podem concluir a comparação de suas promessas de redução no âmbito dos Acordos de Cancún, e trabalhar com comprometimento para que se preencham as lacunas existentes e para que se apresentem compromissos verdadeiramente adequados em Durban."
  2. As regras de contabilidade de emissões devem ser transparentes e devem medir a realidade: Dentro da discussão sobre as metas de redução de emissões, alguns países têm proposto uma variedade de esquemas para medir e informar sobre suas reduções de emissões. Isto cria brechas, como algumas regras obscuras para a contabilidade de emissões provenientes do uso da terra, que permitem dupla contabilidade. "Alguns países tentam estabelecer esquemas não transparentes para evitar maiores reduções efetivas de emissões", afirma Tasneem Essop. "Os negociadores em Bonn podem desenvolver regras de contabilidade claras para todos, para que se possa avaliar e comparar o que cada país está fazendo e para que seja possível determinar se estamos no caminho certo para evitar mudanças climáticas perigosas."
  3. Negociar Fontes Inovadoras de Financiamento do Clima. Os acordos estabelecidos em Cancún definiram as instituições financeiras que irão apoiar os programas de mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento, mas não houve acordo sobre o processo para gerar fontes de financiamento para alimentar os fundos. "Não se pode ter um banco sem dinheiro! Os delegados devem enviar um sinal claro aos ministros de finanças de cada país de que eles precisam mobilizar os fundos necessários e chegar a acordos em Durban sobre fontes inovadoras de financiamento para que o Fundo Verde de Clima possa desempenhar suas funções", afirmou Essop.
  4. Progredir nos conteúdos das estratégias de desenvolvimento de baixo carbono. Alguns países já estão tomando medidas significativas para reduzir as suas emissões, incluindo a adoção de legislação nacional abrangendo todos os setores de suas economias. No entanto, não há acordo sobre a estrutura e o conteúdo comum que as estratégias nacionais devem apresentar. "Não é suficiente que os países industrializados a cheguem a acordo sobre metas e os países em desenvolvimento apresentem pacotes de medidas de redução de suas emissões", afirmou Essop. "É necessário que haja clareza sobre como cada país planeja fazer essas reduções, o que também permitira aos países aprender uns com os outros a partir de iniciativas e experiências positivas."
 
Brasil
 
Pela primeira vez em anos, o Brasil chega a uma reunião de negociações internacionais de clima com sua posição de liderança climática em risco. A aprovação recente de mudanças profundas no Código Florestal em primeira instância no plenário da Câmara dos Deputados, noticiada globalmente pelos principais meios de comunicação, coloca em cheque a capacidade do Brasil de atingir suas metas nacionais de redução de emissões.
 
 "A sociedade brasileira espera que os delegados de nosso país presentes às negociações em Bonn contribuam para os avanços necessários rumo a um acordo internacional de clima, que nos leve às reduções globais de emissões necessárias para evitemos mudanças climáticas perigosas e que viabilize o apoio aos países em desenvolvimento em suas estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas", afirmou Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil. "No entanto, de nada adiantará o sucesso louvável de nossos diplomatas se internamente permitirmos este imenso retrocesso representado pelas mudanças aprovadas na Câmara quanto ao Código Florestal", acrescentou Rittl.
 
A própria expectativa de aprovação das mudanças no Código Florestal estimulou uma nova explosão nos índices de desmatamento no Brasil em meses recentes, como apontam os números oficiais. Estudos preliminares apontam que o Brasil poderia perder 22 milhões de hectares de florestas, uma área maior do que a do Estado do Paraná[i] ( about:blank#_edn1 )
 
"O compromisso do governo brasileiro com sua sociedade, firmado na Lei que estabeleceu a Política Nacional de Mudanças Climáticas e nossas metas de redução de emissões, está em altíssimo risco. A credibilidade do país diante da comunidade internacional também está em cheque. A própria Presidente Dilma Rousseff, então Ministra da Casa Civil, anunciou ao mundo em 2009 as metas nacionais de redução de emissões do Brasil", afirmou Rittl. "Agora está nas mãos do Senado Federal a oportunidade para que a ciência brasileira, extremamente crítica ao texto aprovado na Câmara dos Deputados, seja ouvida, para que possamos modernizar, sim, o Código Florestal, mas sem anistiar os crimes ambientais e induzir a imensos desmatamentos", concluiu.

"Em um ano, a Presidente Dilma terá a oportunidade afirmar de fato sua liderança diante da comunidade internacional, como anfitriã da Rio+20, demonstrando aos líderes globais que o Brasil pode ser exemplo de crescimento sustentável, com conservação da biodiversidade e baixas emissões de carbono. Hoje, o cenário é negativo. Mas temos confiança de que isso pode ser revertido e que a Presidente fará prevalecer seus compromissos afirmados quando ainda era candidata a Presidência da República, diante da sociedade brasileira e da comunidade internacional", afirmou Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.


Fonte: WWF - Brasil


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