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O ataque dos insetos durante a longa noite de trabalho




Por Cláudio C. Maretti, com Ana Cíntia Guazzelli


Ao tentar trabalhar, tivemos imensa dificuldade, pois fomos invadidos por insetos (falsa ‘borboletinha’ ou falsa ‘mariposinha’ da ordem Ephemeroptera, que sai do estágio de pupa (um estágio intermediário entre a larva e o adulto), no rio, para uma vida muito efêmera – de onde o nome da ordem – no ar, apenas para reproduzir e morrer, segundo Hélio Marcos Olsen, biólogo da Unemat) em quantidade tal que provavelmente danificou nossos aparelhos. Esperamos conseguir continuar a trabalhar pelo menos até o final da expedição. Como no filme de Alfred Hitchcock, Os Pássaros, nos sentíamos no roteiro de Os Insetos, pois chegavam do rio aos milhares, atraídos pelas lâmpadas do acampamento. Como precisamos do gerador para trabalhar nos relatos e fotos para a cobertura ‘on-line’, além de facilitar a vida das cozinheiras e outras ações, não podíamos desligá-los. Os insetos acabavam caindo no chão, na mesa improvisada do acampamento e até no meio das teclas dos computadores, atraídas pelas telas.

Home Office na selva
Parece até brincadeira, mas a situação era tão caótica que resolvemos nos espalhar, dispersando o “escritório”. Uma pessoa foi para a barraca, criando o novíssimo conceito de tent-office, ou home office da selva, outra encostou num barco ao lado, longe das luzes, mas continuou brigando com os insetos que vinham atraídos pela tela do computador e uma terceira desistiu. Houve algumas legas de insetos. Quando pensávamos estarmos livres das mariposas e tentávamos nos reunir no ‘escritório de campo’, nova ‘revoada’ nos expulsava. No final, havia quase um centímetro de insetos espalhados pela mesa e pelo chão.


Durante a noite, nós que dormíamos em redes, mais dentro da mata, fomos invadidos por cupins. Nossas mochilas, os sacos das redes, até capas das câmeras fotográficas, felizmente não os aparelhos foram invadidas por cupins, milhões deles.


Preparação e envio de material
Mesmo sem os insetos, a preparação dos relatórios, das fotos e o envio do material, por comunicação de ‘Internet’ via satélite, toma muito tempo. Normalmente, não considerando a ‘pesquisa’ durante o dia, gastamos de 1 a 3 horas para discutir, escolher a pauta, associar temas com as fotos do dia, dividir tarefas, escrever e preparar fotos. Quando possível, e se somos mais de um, revisamos mutuamente textos, e textos já escritos, e com fotos já preparadas, relacionamos novamente textos e fotos dentro do possível.


Como as condições não são muito boas, a integração está longe de ser perfeita. Não temos disponíveis equipamentos em quantidade e qualidade e as vivências no campo são muito diferentes. Inevitavelmente, sobra para alguém dar a versão final em um ou mais textos e fazer a legenda das fotos. Como há necessidade de legenda das fotos em português e em inglês, porque as notícias e fotos são colocadas no site do WWF-Internacional e no site do WWF-Alemanha, não raro isso fica para mim. Às vezes consigo preparar o texto em inglês antes das demais atividades, noutras no final de tudo, tenho que traduzir e resumir para enviar as versões resumidas e antecipadas.


O principal empecilho são os diferentes fusos na Europa, principamente na Suíça e na Alemanha, onde estão sendo publicadas as notícias (a partir Brasília, Gland e Frankfurt). Como eles estão cerca de cinco horas à nossa frente, não podem esperar os horários brasileiros. No site do WWF-Alemanha tem saído preferencialmente os resumos, feitos pelo Michael Evers ou por mim. No site do WWF-Internacional tem saído a tradução a partir da versão mais completa brasileira. Ou seja, enviamos texto e fotos para Brasília, onde são feitas as edições, revisões e traduções à noite ou pela manhã, e envio da versão final traduzida. Os textos chegam à Brasília por volta das 2h e todo o trabalho é feito até às 9h, para que chegue em Gland num horário razoável.

Difícil conexão via satélite
Mas a tarefa de enviar as fotos e as mensagens costuma ser o mais problemático.
Foram vários dias para instalação dos programas. Como os nossos sistemas nos computadores não reconhecem com facilidade o programa, houve necessidade de dezenas e dezenas de tentativas até a instalação e funcionamento dos programas adequado. Isso me consumiu boa parte dos primeiros dois dias e noites em Apiacás, quando começamos a necessitar de conexão via satélite, pois em Alta Floresta ainda tínhamos Internet disponível no hotel.


Uma vez instalados os programas e preparados os computadores, vemos várias vezes mensagens de impossibilidade de conexão como “outro modem utilizando”, “linha ocupada”, etc, antes de conseguirmos de fato uma conexão. O pior é que isso vem ocorrendo praticamente todas as noites da expedição, nos obrigando a entrar madrugada adentro: tentativas de conexão seguidas de ‘liga-desliga’, ‘pluga-despluga’, ‘liga-num-liga-noutro’, e inumeríssimos ‘começa-tudo-outra-vez’, até que conseguirmos uma, duas ou mais conexões necessárias para mandar os textos e fotos para Brasília e Frankfurt.


Isso leva horas, e, portanto, ficamos, alguns de nós, trabalhando no ‘escritório do acampamento’, até perto de meia-noite, e outros de nós até 2 ou 3 horas da madrugada. No dia seguinte, toca acordar bem cedo e partir para a maratona de ‘navega-caminha-carrega-etc.’, sob sol escaldante, e carregando quilos e quilos de computador, baterias, fontes, aparelhos de conexão via satélite, etc.
Mas, com certeza, as maravilhas que vemos por aqui nos fazem esquecer o cansaço e as dificuldades e lembrar de como é importante preservamos este espaço e criarmos áreas de conservação para manter a biodiversidade.


Fonte: WWF - Brasil


Álbum (2)

Álbum de fotos (2)

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