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No retorno, observações sobre e a natureza do Amapá




Ontem, dia 15, diferentemente da noite anterior, choveu durante a noite - normalmente chove, mas umas vezes chove no início da noite, noutras mais para o final, variando também sua intensidade. Como em outras noites, o rugido dos guaribas, ou bugios, soou noite adentro. Na verdade, como hoje não seria preciso "despertador" - normalmente é o Arraia apitando logo de manhã -, pois não iríamos sair para navegar, quem nos despertou foram os guaribas. Mais tarde, quando fomos dar um passeio de barco com as autoridades que nos visitaram, após algumas curvas do rio Jari encontrarmos um pequeno grupo deles.

Ontem fiz meu último relato feito da expedição. Este, já redijo no caminho de regresso a Macapá, a bordo da avioneta que trouxe de volta Cristiano Ferreira, do Ibama, e Marcelo Creão, do WWF-Brasil, além de Willam Kempers, que atua na Estação Ecológica do Jari, no baixo curso do rio, e Adriana Vilhena do Nascimento, também de nossa equipe, e que veio nos buscar, a Christoph e eu, que regressamos junto com a Adriana e o câmera da Secretaria de Comunicação do Governo do Estado do Amapá.

No Molocopote, a expedição recebeu a visita de Alberto Góes, secretário especial do Desenvolvimento Econômico; do coronel Bráulio, chefe do Gabinete Militar; colegas da comunicação social do governo estadual, e o Emanuel, chefe do Núcleo de Unidades de Conservação da Gerência Executiva do Ibama no Amapá.

Após decolagem em Molocopote, voamos para o norte, seguindo o rio Jari por um tempo. Depois seguimos o rio Mapaoni até o garimpo abandonado chamado Ubim. Efetivamente não há sinais de uso recente, mas o garimpo fez um bom estrago na grota existente na área. Seguimos acompanhando o curso do Mapaoni, chegamos à fronteira com a Guiana Francesa, sobrevoamos os inselbergs - que se tornaram quase um símbolo do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque - embora, na realidade sejam exemplos de uma paisagem (geomorfologia e vegetação) de exceção no parque nacional.

Depois dos inselbergs - relevo rochoso, tipo "pão-de-açúcar", que marca parte da paisagem do parque-, tomamos o rumo de Macapá. Cruzamos os rios Culari e Cuc, até o rio Inipuku, o qual antes havíamos subido com a expedição, boa parte dele com os índios wajãpi. Do alto, ao menos deste lado do parque nacional, não se nota diferença alguma entre o parque nacional e a Terra Indígena Wajãpi, um contíguo à outra. Exceto quando de muito em muito se vê uma aldeia, ou pequenas manchas de áreas de roça, pois daqui de cima só vemos a floresta amazônica. Do outro lado da terra indígena, junto ao que sobrou da rodovia Perimetral Norte, a ocupação é mais visível, ainda assim concentrada junto à estrada.

Mesmo após termos cruzado a terra indígena pelo ar, e fora de qualquer área protegida, nota-se florestas ou outras formas de vegetação ainda bem preservadas. Claro que do alto não dá para assegurar o estado de conservação dessas formações vegetais naturais, sobretudo quanto à presença de animais, mas é possível afirmar que pelo menos do ponto de vista do desmatamento, ainda estão mantidas.

Isso prova a tese e comprova a proposta do Governo do Estado do Amapá, formalizada por meio do Corredor de Biodiversidade do Amapá, identificando como melhor futuro para esta área o desenvolvimento justo com base na conservação. Por exemplo, ao redor dos parques nacionais e das terras indígenas, e até da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Iratapuru, em alguns casos, deveria se criar florestas estaduais para manejo sustentado da madeira e outros produtos florestais, com a conservação das paisagens e dos principais elementos da natureza.

É com a proteção de amostras ecologicamente representativas da diversidade biológica, incluindo os níveis dos ecossistemas, das espécies, e da diversidade genética, existentes no estado, e com o estímulo ao uso sustentado dos recursos naturais, respeitando um ordenamento territorial e garantindo espaço para o desenvolvimento e o fortalecimento das comunidades locais - mas também abrindo espaço para uma exploração industrial cuidadosa e sustentada, complementados por esforços no sentido do desenvolvimento do conhecimento e das capacidades, tudo isso incluindo pesquisa de novos produtos oriundos da diversidade biológica, capacitação para a gestão de áreas protegidas e fortalecimento para gestão de projetos de uso sustentado, incubação de empresas, produtos e serviços intensivos em tecnologia, certificação da exploração florestal, promoção do comércio justo - que o Amapá pode encontrar um caminho adequado para o seu desenvolvimento, aproveitando-se de suas vantagens comparativas.


Fonte: WWF - Brasil


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