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Negociações de clima: avanços no texto, mas novos entraves políticos




Os delegados que estiveram reunidos nas duas últimas semanas em Bangcoc para tratar do novo acordo global de clima fizeram avanços técnicos no texto que será discutido em Copenhague, em dezembro. Porém, a falta de um mandato político e de apoio de seus governos impediu o progresso necessário rumo ao novo acordo.

Os negociadores se esforçaram e conseguiram cortar as 180 páginas de texto quase pela metade, como esperado. Entretanto, não conseguiram avançar nos assuntos mais críticos, como metas de redução de emissões, instituições e compromissos financeiros e a natureza legal do resultado desse processo.

"Depois dessa etapa, o texto está mais curto, porém ainda cheio de indefinições", afirma Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.

"Há mais clareza de onde estão os entraves politicos e sabemos que os chefes de Estado, mais que os negociadores, precisam colaborar para a solução. Esperamos que o presidente Lula exerça papel de liderança efetiva nesse processo até Copenhague", declara Hamú.

"Restam apenas cinco dias de negociação em Barcelona, em novembro, antes da realização da cúpula de clima no final do ano. Não podemos perder tempo por falta de mandato nas negociações. É absolutamente critico que os delegados levem a Barcelona instruções políticas novas e claras para o progresso nas negociações", acrescenta.

O dilema em Bangcoc em torno do futuro do Protocolo de Quioto e a tentativa de alguns países de extinguir o Protocolo exige ação política responsável de todas as partes.

"É preciso agora ter responsabilidade política de todas as partes, pois sugestões como essa são um retrocesso imenso nas negociações. O Protocolo de Quioto é imprescindível. Não dá para substituirmos por algo totalmente novo a essa altura do campeonato. Demoraria demais e provavelmente não alcançaríamos o nível de ambição, justiça e eficácia necessários para conter o aquecimento global", afirma Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.

"O Brasil e o G77 fizeram bem em não aceitar a pressão dos países ricos. Agora é preciso que eles tenham liderança para conduzir novamente as negociações aos trilhos certos", completa.

As discussões em Bangcoc mostraram que enquanto a lei de clima não for aprovada no Congresso Norte-Americano haverá um imenso obstáculo ao progresso das negociações. Por causa disso, há sinais claros da União Européia de que não está sendo mais possível mostrar liderança e ambição nos processos.

"A falta de uma lei de clima nos EUA é uma pedra no caminho de Copenhague. Porém, não há apenas uma, mas várias, pois a União Européia também começa a mostrar sinais de que suas liderança está cada vez mais enfraquecida. Precisamos nos livrar dessas pedras com urgência para que as negociaçõesavancem no ritmo necessário", analisa Rittl.


Brasil e liderança

O Brasil precisa agora exercer seu papel de liderança para desbloquear o processo de negociação. Para isso, o país deve incorporar o conceito de orçamento de carbono em suas posições nas negociações de clima e trabalhar por uma meta global de redução de emissões. O presidente Lula deve levar a Copenhague números claros de redução em nossas emissões, que representem não só o resultado do combate a redução do desmatamento na Amazônia, mas em todas as regiões, e que também incorporem esforços de controle de emissões nos principais setores de nossa economia, como agropecuária, indústria, transporte e energia.

Também é preciso haver preparação interna do país para que essas metas possam de fato ser atingidas. Um dos grandes temas que devem estar contemplados no novo acordo de clima é Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD) e quais mecanismos financeiros serão usados para financiar esse corte de emissões.

Por isso, hoje (9/10) o WWF-Brasil e os participantes do seminário "O Papel das Áreas Protegidas na Redução das Emissões por Desmatamento" entregaram uma declaração à Casa Civil pedindo que o governo reconheça a importância e o papel das unidades de conservação e terras indígenas e das populações tradicionais, riberinhas e indígenas no combate ao desmatamento.

"Temos que discutir o potencial das reduções de emissões por desmatamento sem descartar os outros serviços das nossas florestas, além do carbono. Para isso, deve-se pensar no fortalecimento das áreas protegidas como um sistema, que tem objetivos que vão além do combate ao desmatamento", alerta Cláudio Maretti, superintendente de Conservação do WWF-Brasil.


Fonte: WWF - Brasil


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