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Mudanças climáticas: Relatório da Rede WWF diz que a solução para países do G8 + 5 passa pela eficiência energética




O novo relatório da Rede WWF aponta que a implementação de medidas de eficiência energética, ou seja, o uso racional de energia, ainda é tímida nos países do G8 + 5, o grupo dos 8 países mais desenvolvidos e dos 5 maiores países em desenvolvimento. Esses países são responsáveis por 85% das emissões globais de gases do efeito estufa, e seus líderes se reúnem em Heiligendamm, na Alemanha, na próxima semana.

No grupo do G8 + 5 há um enorme potencial para aplicação de técnicas de eficiência energética em diversos setores, dentre eles, geração de energia elétrica, calefação e refrigeração, construção civil e transporte. O setor de energia, por exemplo, é um dos que mais emitem gases causadores do efeito estufa no mundo, responsável por aproximadamente 37%, ou mais de 700 toneladas por segundo.

Com esse novo relatório, a rede WWF mostra o potencial existente em cada um dos países do G8 + 5 e quais as políticas que podem ser adotadas para reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. A utilização deste potencial é uma das saídas para combater o aquecimento global.

“Não existe apenas uma maneira de deter as mudanças climáticas, mas a eficiência energética, quando bem aplicada, é uma das melhores soluções, pois, além de ser barata, evita o desperdício de energia”, afirma Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil. “Os líderes mundiais não podem mais ignorar esta opção, incentivos devem ser colocados em prática o quanto antes”, completa.

As recomendações da rede WWF estão focadas principalmente nos setores de energia, transporte e construção civil. Para a reunião do G8 em Heiligendamm, a Alemanha sugeriu um aumento de 20% na eficiência energética para cada um desses setores até 2020, comparado ao ano de 2005.

O documento mostra que os países que compõem o G8 + 5, e o Brasil está entre eles, têm um potencial ainda maior na área de eficiência energética e que as metas são técnica e economicamente possíveis para todos os países. O relatório estima que o potencial para o setor de transporte é de 25% a 50%, na área de construção, de 30% a 45% e de energia de 4% a 45% até o ano de 2030, dependendo do país.

O relatório revela ainda que todos os cinco países em desenvolvimento analisados têm políticas de eficiência energética, mas são tímidas e podem ser melhoradas. No Brasil, por exemplo, um estudo do WWF-Brasil, intitulado “Agenda Elétrica Sustentável 2020” aponta que as técnicas de eficiência energética têm o potencial de reduzir em até 38% a demanda por eletricidade até 2020, e juntamente com a expansão de energias renováveis não-convencionais - como biomassa, eólica e termosolar –, podem representar uma economia de R$ 33 bilhões para o bolso dos cidadãos brasileiros. Além disso, é preciso que o Brasil continue investindo em energias limpas e reverta a tendência de crescimento de termelétricas baseadas na queima de combustíveis fósseis. “Se o estudo for colocado em prática, nossa taxa de emissão de gases de efeito estufa do setor serão estabilizadas até 2020”, explica Karen Suassuna, técnica em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil.

As medidas recomendadas no relatório incluem padrões de eficiência, rótulos para eficiência energética, como o do Procel no Brasil, instrumentos de incentivos fiscais como subsídios ou isenções e a adoção de padrões mínimos para novas construções como, por exemplo, a necessidade de instalação de aquecedores solares de água.


“Durante a reunião do G8, na próxima semana, os países deveriam primeiro chegar a um acordo sobre o futuro das negociações de clima no âmbito das Nações Unidas e também se comprometer a estabelecer metas de redução de demanda por energia e apoio ao desenvolvimento tecnológico limpo nos demais países”, enfatiza Karen Suassuna. “No mundo globalizado de hoje, os países industrializados precisam trabalhar conjuntamente com os países em desenvolvimento, estabelecendo um arcabouço comum para a adoção de práticas de eficiência energética”, encerra.


Notas aos editores

1. O G8 + 5 é o grupo dos países mais desenvolvidos e em desenvolvimento responsáveis por 85% das emissões de gases do efeito estufa. Fazem parte do G8: Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos, tendo a União Européia como observadora. O G5 é composto por: Brasil, China, Índia, México e África do Sul.
2. A íntegra do relatório estará disponível em inglês nesta terça-feira, 29 de maio, no link http://www.panda.org/climate


Fonte: WWF - Brasil


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