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Mortes na Amazônia devem se somar a centenas de crimes sem solução




Nas últimas três semanas, cinco trabalhadores rurais foram assassinados na Amazônia – quatro no Pará e um em Rondônia. As mortes devem se somar às centenas de assassinatos não solucionados na Amazônia. 

As primeiras mortes da onda de violência em curso ocorreram no mesmo dia em que o Congresso Nacional votava, em Brasília, a proposta de reforma do Código Florestal Brasileiro, em 24 de maio. O casal de extrativistas Maria do Espírito Santo da Silva e José Cláudio da Silva foram surpreendidos em uma emboscada. Os dois eram lideranças do assentamento extrativista Praia Alta-Piranheira, no município de Nova Ipixuna, sul do Pará, região caracterizada por violentos conflitos envolvendo grileiros, madeireiros, extrativistas e agricultores. Maria e José Cláudio denunciavam as explorações ilegais de madeira e sofriam ameaças de morte.

Quatro dias depois (28/5), a polícia encontrou o corpo do agricultor Herenilton Pereira dos Santos. Herenilton, de acordo com informações preliminares, teria testemunhado o crime. As investigações sobre a morte dele correm em sigilo.

No dia anterior, o agricultor Adelino Ramos, conhecido com Dinho, foi morto a tiros enquanto vendia verduras em Vista Alegre do Abunã, no estado de Rondônia. Adelino denunciava a extração ilegal de madeira e era perseguido por latifundiários. A Polícia Civil indiciou um homem como executor, mas não apontou mandantes.

A quinta vitima foi Obede Loyola Souza. O corpo do trabalhador rural foi encontrado no último sábado (11/6), em Pacajá (PA), com uma perfuração no ouvido, supostamente provocado por tiro de espingarda.

A morte de Obede, de acordo com a Polícia Civil, pode estar relacionada a disputas por terra entre os próprios moradores do acampamento Esperança, onde ele morava. Mas de acordo com informações de militantes ligados à Igreja Católica, o crime pode ter relação com a extração ilegal de madeira.

O governo federal foi surpreendido pelas mortes, mas sua reação se resumiu ao envio de 30 policiais da Força Nacional à região e à determinação para que a Polícia Federal participasse das investigações.

Crimes como estes costumam ficar sem solução no Brasil. Nos últimos dez anos, 219 pessoas foram assassinadas nas florestas do Pará. Deste total, apenas quatro casos chegaram aos tribunais.

O WWF-Brasil repudia a violência no campo e o assassinato dos trabalhadores rurais e extrativistas.

“Como brasileiro me sinto envergonhado e triste com essas notícias e com a impunidade. É inconcebível que o Estado não garanta a integridade física dos cidadãos e que as pessoas ameaçadas de morte tenham de buscar estar sempre em evidência como forma de tentar se proteger”, afirmou Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, superintendente de Conservação do WWF-Brasil

“Enquanto houver impunidade, esse tipo de barbaridade acontecerá e continuará manchando a história desse país. Os mandantes e executores dos crimes devem ser identificados e punidos, com agilidade e o rigor”, completou.


Fonte: WWF - Brasil


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