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Ivan, um aliado na proteção do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque




Por Ligia Paes de Barros, WWF-Brasil

Ivan Sousa Gomes tem 48 anos, é natural de Santarém, no Pará, e há 12 anos mora em Vila Brasil, de onde não pretende sair. Apaixonado pela “village”, como ele diz sob influência francesa, ele não se cansa de trabalhar para fazer de Vila Brasil um lugar cada vez melhor para se viver.

Com o apoio de sua esposa Maria Lucia Vasconcelos, foi ele que construiu a igreja de Vila Brasil e agora está terminando a obra da nova escola, que tem cerca de 40 alunos. Com o intuito de promover o turismo, e assim ajudar a conservar a floresta, ele também fez e está ampliando sua própria pousada: Le Belvedere, a única de Vila Brasil e que recebe hóspedes durante o ano todo.

Além disso, buscando trazer maior força política e reconhecimento da prefeitura de Oiapoque para as reivindicações dos moradores de Vila Brasil, Ivan fundou a associação de moradores da comunidade. A principal demanda do momento é um gerador com capacidade de levar energia a todas as casas da Vila – no momento, as famílias que têm condições têm seu próprio gerador, e 20% das casas estão sem energia.

E a missão de Ivan não para por aí: ele está negociando a construção de uma praça que sirva como espaço de encontro e lazer para os moradores de Vila Brasil; e já tem prontos os projetos dos brinquedos para crianças que irá construir no local. Ele também abriu e faz a manutenção de uma trilha em área de floresta nativa para que visitantes possam conhecer as riquezas da floresta Amazônica e para sensibilizar seus vizinhos da importância de conservar esse patrimônio. E ainda, nas horas vagas, ele pinta as belezas de sua “casa” em painéis de madeira.

Como se não bastasse, o incansável Ivan ainda enfrenta o que considera o seu maior desafio em Vila Brasil: o problema do lixo. Ele reúne os moradores para recolher o lixo produzido e juntos depositam o material numa área aberta por eles, afastada da vila. Ivan queima uma vez por ano todo o plástico e papelão recolhidos, porém não sabe o que fazer com as latas de alumínio, garrafas e vidro. Preocupado, ele se coloca à disposição da equipe do ICMBio para ajudar a solucionar a questão.

Qual a sua motivação? “Eu e minha esposa gostamos da comunidade e queremos o bem dela. O bem da comunidade traz o bem para cada um”, afirma. “A gente está carregado de trabalho e se virando para resolver os problemas das pessoas. Deus me dá força para nunca ter que dizer não quando alguém pede ajuda”.

Pessoas como o Ivan são fundamentais para o sucesso do trabalho de gestão e para garantir a integridade de uma área tão rica em biodiversidade como o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. Ele apoia a conservação ambiental e ainda estimula a comunidade a fazer o mesmo.  “Ainda bem que tem o Parque, porque se abrir espaço, todo mundo vai desmatar. A floresta é um meio de vida aqui, e o ser humano precisa aprender a trabalhar com ela”, conclui Ivan.

Outros moradores de Vila Brasil:

Isabel Ribeiro Carvalho, 45, Comerciante.  É dona de um mercado onde só se vende o que os índios gostam. “Eles não gostam de maionese, então se eu comprar estraga. O que eles mais compram é óleo de cozinha, biscoito, salgadinho, sal, suco de caixinha, refrigerante e até galinha”.

Francisco de Assis, 41. Comerciante. A colheita da roça atrás de sua casa é calculada toda em euro: um saco de mandioca é € 30 e um cacho de banana bem cheio é € 12.

Delzuite Batista do Nascimento
, 46 anos. Artista. Faz artesanato com materiais que encontra. Trabalha tanto com madeira, como sucata e galho seco.

Saiba mais sobre a viagem de campo à região do Tumucumaque aqui.


Fonte: WWF - Brasil


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