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Investimento em plantações de palma requer cuidados




Por Bruno Taitson, de Kota Kinabalu, Malásia

Ivy Wong, coordenadora do programa de florestas do WWF-Malásia, não questiona a importância das culturas de palma (dendê) e seringueira para o desenvolvimento econômico e social de seu país. “Geram muitos empregos e elevada receita por meio de impostos e exportação em larga escala”, descreve. Mas, segundo ela, a Malásia teve grandes áreas de floresta nativa convertidas para o plantio da palma, o que deve ser visto com preocupação.

Ela afirma que há diversas empresas malaias dispostas a produzir o óleo de palma em território brasileiro. “Existem empresas boas e ruins. Por isso, o Brasil deve ser rigoroso em relação aos critérios ambientais e também sociais, especialmente no que diz respeito à qualidade de vida dos trabalhadores”, sentencia.

A Malásia é o maior produtor mundial de óleo de palma e também de borracha. As primeiras sementes da seringueira chegaram ao país levadas do Brasil, no final do século 19. O cultivo da palma para a produção do óleo é mais recente, mas atualmente ocupa posição de destaque entre as atividades econômicas do país, juntamente com a madeira, o turismo e a borracha.

De acordo com a coordenadora, a situação das florestas plantadas na Malásia melhorou sensivelmente nos últimos anos do ponto de vista da sustentabilidade. Isso se deveu, segundo ela, especialmente à mobilização da sociedade civil organizada e ao envolvimento de alguns setores do governo e de empresários dotados de responsabilidade socioambiental.

O WWF-Malásia faz parte da Mesa Redonda do Óleo de Palma Sustentável (RTSPO), que congrega empresas, governo e ONGs no sentido de criar e implementar parâmetros sustentáveis em toda a cadeia produtiva. Segundo Ivy Wong, os resultados têm sido positivos, e podem ser aproveitados no Brasil caso o país queira realizar ou receber investimentos mais robustos no setor.

O país asiático estabeleceu um limite de 5 milhões de hectares de plantios de palma – a Malásia tem um território correspondente a 32 milhões de hectares. Outro compromisso assumido por governo, setor produtivo e sociedade civil é de manutenção de, pelo menos, 50% de florestas no país, compreendendo áreas protegidas e locais onde aconteça a produção sustentável por meio do manejo.

Segundo Ivy Wong, o governo brasileiro precisa fazer abrangentes estudos de risco da atividade e da adaptabilidade da espécie a determinadas áreas antes de estabelecer uma política de estímulo à produção do óleo de palma (dendê). “Também é indispensável ampliar a fiscalização, algo que a Malásia ainda não conseguiu fazer. Muitos trabalhadores do setor vivem em condições precárias. Como consequência, os jovens malaios não querem trabalhar com a atividade, fazendo com que imigrantes sejam contratados para o serviço a preços baixos, criando-se um problema social”, afirmou ela.

A Conferência Internacional sobre Florestas e Mudanças Climáticas. aconteceu em Kota Kinabalu, capital do estado malaio de Sabah (localizado na ilha de Bornéu) nos dias 8 e 9 de novembro, De acordo com o coordenador do escritório do WWF-Brasil no Acre, Alberto Tavares (Dande), que representou a organização no evento, durante a conferência e as visitas de campo ficou claro que o Brasil precisa estar atento a parâmetros de sustentabilidade para culturas plantadas como a seringueira e o dendê.

“As cadeias produtivas baseadas em florestas plantadas podem ter impactos negativos tanto do ponto de vista ambiental como do social. É preciso levar em conta as questões de ordenamento territorial, deixando claro onde pode e onde não pode introduzir determinada cultura”, conclui Dande.


Fonte: WWF - Brasil


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