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Inventário brasileiro: antes tarde do que nunca




Em audiência no Senado, o ministro da Ciência e Tecnologia Sergio Machado Rezende anunciou na quarta-feira (25/11) os dados preliminares do 2º. Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa. Há anos o governo vem sendo cobrado por diversos setores da sociedade para que atualizasse o primeiro e único inventário de emissões brasileiras lançado em 2004, com base em dados referentes ao período de 1990 a 1994.

"A divulgação dos números do inventário de emissões brasileiras evidencia mais um gesto de compromisso do governo com a questão climática", afirma a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú. "O inventário era esperado há bastante tempo e apesar  da demora desejamos que estes dados sejam atualizados com uma periodicidade definida para apoiarem firmemente as políticas de redução de emissões".  Com isso, o Brasil mostra que o assunto está sendo discutido nacionalmente com seriedade e clareza. Neste momento em que as negociações de clima em torno de um novo acordo estão tensas, é fundamental que o nosso país mostre liderança e engajamento", afirmou.

"Os números apresentados mostram que as emissões brasileiras aumentaram  em 62% em 15 anos, saltando de 1,4 gigatoneladas em 1990 para 2,2 gigatoneladas de CO2 equivalente em 2005, período analisado pelo governo no documento. Segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, esses dados devem ser levados à 15ª Conferência das Partes (COP 15) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, em dezembro.

O desmatamento contabilizou uma elevação de 70% em suas emissões no período, representando 57,5% do total do país. O segundo setor que mais contribuiu para o lançamento de gases de efeito estufa foi o de agricultura, com 22,1% do montante brasileiro mostrando crescimento de 41%.
"Neste momento em que o Código Florestal e a legislação ambiental correm o risco de sofrer um desmonte no Congresso Nacional, é importante que os parlamentares estejam também atentos às nossas emissões e aos riscos para o clima" afirma Carlos Rittl, coordenador do programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil. "Os ruralistas precisam entender que a agricultura depende muito do equilíbrio do clima e da chuva produzida pela floresta. Desmatar significa colocar a biodiversidade, o meio de vida das populações locais e toda a nossa economia em grande risco" acrescenta Rittl.
Esta semana, o WWF divulgou relatório que demonstra que se não houver reduções drásticas globais de emissões de gases do efeito estufa, até 70% da floresta Amazônica poderia ser perdida, acarretando prejuízos sociais, ambientais e financeiros para todo o país.

Outros setores
De acordo com o inventário, o setor energético aumentou suas emissões em 68% entre 1990 e 2005 e sua participação subiu de 15,8% para 16,4% do cenário nacional. Este aumento gera algumas dúvidas sobre as projeções apresentadas pelo governo ao anunciar o cenário tendencial e o cenário de redução de emissões para o Brasil em 2020. "Se em 15 anos houve um incremento de 68%, não entendemos como o governo estimou o aumento das emissões deste setor até de 2020 em 136% no cenário tendencial", afirma Rittl. "Esperamos que o governo torne públicos os seus cálculos, tanto para o cenário tendencial como para as metas de reduções nos diferentes setores", acrescenta. "Desta forma, poderemos entender as projeções e comparar as metas às nossas oportunidades de mitigação de emissões. Temos, por exemplo, um potencial de geração de energia da biomassa, eólica, solar, solar térmica e de biocombustíveis muito pouco explorado tanto em nossa matriz energética como nas metas atuais" conclui Rittl.

O WWF-Brasil defende também que a matriz elétrica seja diversificada com fontes alternativas não convencionais como solar e eólica. Segundo a Aneel, o potencial de geração de energia por meio de ventos no Brasil é de 143,4 gigawatts (GW), o equivalente a 10 Itaipus, e suprir 20% da demanda por eletricidade hoje no país.

O aumento de emissões na indústria foi de 39%, porém a participação do setor no cenário nacional teve queda de 2% para 1,7%. As emissões que mais cresceram foram de tratamento de resíduos: 77%. Sua participação, porém, ainda é pequena no total de gases emitidos pelo Brasil. Passou de 2% para 2,2%.
Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o inventário brasileiro deverá ser finalizado em dezembro de 2010. No início do ano, haverá uma consulta pública sobre o documento. O trabalho é coordenado pelo MCT e elaborado por 150 instituições e cerca de 700 especialistas.





Fonte: WWF - Brasil


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