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Início do retorno e nova parada no Molocopote




Hoje iniciamos o regresso. Dormir à beira da cachoeira, sob o luar de quarto-crescente, foi ótimo. Também foi um alívio termos o som da cachoeira encobrindo o barulho do gerador. Como ontem resolvemos acampar na cachoeira Macaé mais cedo, havíamos previsto hoje navegar por pelo menos dez horas, saindo muito cedo.

Acordamos hoje por volta de 5h ou 5h30. Às 6h ainda estava completamente escuro. O café-da-manhã tinha café amargo, leite, pão - comum apenas depois dos reabastecimentos -, bolachas cream creaker e margarina. Saímos pouco depois das 6h30. Navegamos praticamente sem parada, com as correntes a nosso favor, descendo o rio. Logo no início nos demos conta de que não necessitaríamos de todo o tempo previsto, pois avançávamos bem.

Considerando que o início era o mais custoso, em razão do rio estreito, dos muitos obstáculos - como árvores caídas, vegetação que cresce para dentro do rio e mesmo algumas corredeiras -, navegávamos quase a 18 quilômetros por hora, com o batelão (embarcação de madeira e motor de popa) Flávia logo atrás de nós, que avançávamos na catraia (embarcação longa de alumínio, com motor de popa) da Comaru. Depois de várias sonecas na catraia, já me sentia bem, inclusive quanto à crise de malária crônica que carrego comigo desde os tempos em que trabalhei na África, e que me havia abatido nos dois últimos dias.

Mesmo superando as dificuldades do trecho inicial e com o rio mais aberto, navegávamos entre 17 e 18 quilômetros por hora. Paramos para almoçar cerca de meio-dia. Comemos arroz com frango. E voltamos a partir. Estávamos tranqüilos, com o batelão sempre próximo de nós.

As observações não eram tão atentas, já que havíamos levantado muito cedo e estávamos "assonados". Também estávamos cruzando o mesmo ambiente de poucos dias antes. Novamente vimos a sucessão de tipos de vegetação e vários animais. Os destaques, sobretudo no início da jornada, foram os iguanas e os martins-pescadores, esses em bom número. Foram contados mais de 30 aproximadamente nas primeiras duas horas da jornada, de três tamanhos diferentes, indicando provavelmente três espécies.

Os iguanas também eram particularmente numerosos no primeiro trecho da viagem. A maioria deles caía ou se jogava n'água, mas nem todos. Pudemos notar que eles tentavam se esconder, buscando rodar nos galhos onde se encontravam. Talvez seja esse comportamento, mal controlado, a causa das quedas.

Outro destaque do dia foi uma onça-pintada, avistada pelo Edevaldo. Diz ele que, quando a viu, ela saltava da margem para dentro da terra. É possível que tivesse atravessado o rio pouco antes de nos aproximarmos. Descemos, fomos verificar e pudemos constatar as pegadas recentes. Creio que o mais provável é que ela se aproximava do rio, possivelmente atrás de alguma caça, uma capivara, talvez, e saltou para trás ao ver nossa aproximação.

Novamente hoje vimos um bicho-preguiça, desta vez avistado pelo Christoph. Novamente ele estava na água. Ou melhor, com o traseiro na água - o que, segundo o Orlando, mostra que estava evacuando. Que bicho asseado, não? Evacuar na água!
Chegamos ao Molocopote pouco depois das 15h, a tempo de conversarmos, armar nossas redes, conversarmos, tomar banho, conversarmos, cuidar de nossas feridas ou lavar roupa, e conversarmos.

No entanto, notamos que o batelão tardava a chegar. Orlando Índio, nosso guia, e outros que haviam ficado por aqui, resolveram ir verificar. De fato, o batelão tinha sofrido uma avaria, quebrando todo o rotor, quase novo, do motor 40 HP. Depois de quase uma hora de trabalho, o sargento René adaptou um usado, conseguindo fazer o motor funcionar precariamente, o suficiente para uma navegação ainda que lenta. Assim, mais de uma hora depois da nossa chegada com a catraia, veio o batelão.

Hoje mesmo, desde o final da tarde e início da noite, sargento René e Chiquinho trabalharam desmontando o motor avariado, preparando-o para poder receber amanhã as peças que devem chegar de Macapá - por sorte, a quebra coincidiu com um momento de reabastecimento. Dois aviões chegam amanhã, com provisões, gente que vai se reintegrar à expedição e autoridades do governo estadual e do Ibama.


Fonte: WWF - Brasil


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