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Equipe começa a volta para casa




Por Ana Cíntia Guazzelli, com Cláudio Maretti

Começamos hoje a descer o rio Sucunduri, no estado do Amazonas. Depois de praticamente quatro dias entre céu e terra, voltamos para a água, seguindo os mesmos moldes da primeira etapa, vivida no rio Juruena. Estamos divididos em quatro canoas de alumínio e um batelão de madeira, que carrega a carga pesada e nossos pesquisadores. Se tudo correr como o programado, estaremos depois de amanhã, dia 30, no município de Apuí, onde se encerra a Expedição Juruena-Apuí, iniciada no dia 13 de junho, no estado do Mato Grosso.

Hoje, nosso acampamento foi montado em um lajedo grande, na margem da cachoeira Fortaleza, no rio Sucunduri. Chegamos por volta das 17h30 e por isso tivemos que montar barracas e tomar um banho rápido no rio, antes que a noite caísse de vez. Diferente de Juruena, aqui não temos bicos de luzes, o que possibilita admirarmos um céu ainda mais lindo, cheinho de estrelas. Ao redor de uma pequena fogueira, alguns se esquentam (à noite, a temperatura cai bruscamente). E eu, a espera do Zig, atrapalho o sossego do local, com o barulho chato do gerador, que só deverá ser desligado depois que enviarmos o texto e as fotos de hoje.

Temos visitantes alemães. A equipe da Vox TV, que fará um programa sobre a nossa expedição, nos acompanha nesta última etapa. Estão sofrendo muito com as picadas de abelhas e piuns e com a total falta de conforto dos acampamentos. Também, coitados, no primeiro dia de campo, caíram logo no pior de todos, no domo do Sucunduri, junto com os pesquisadores coordenados pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas - SDS-AM.

Estavam longe do rio, portanto, da água, e para piorar ainda mais a situação, o local, por suas características vegetais, era infestado por abelhas e marimbondos, além dos velhos piuns, é claro! Depois de um dia e meio de trabalho, eles estavam exaustos, loucos para saírem daquele lugar. Foram para Terra Preta, onde havia melhores condições de infra-estrutura. Contava até com um banheiro, se é que assim pode ser chamada uma casinha de madeira coberta por palha, com uma folha de zinco servindo de porta e, cobrindo uma fossa com alguns metros de profundidade, um piso de madeira de mais ou menos 2m x 1m, com um buraco retangular bem no meio. Vaso sanitário não existe, mas a técnica é simples: de pernas semi abertas, apóia-se os pés na madeira, de maneira que o espaço fique bem no meio do corpo. Aí, o conselho é se abaixar e torcer para não errar o buraco.

Estamos deixando uma região que impressionou os pesquisadores por sua diversidade de paisagens. São formações vegetais que se diferem umas das outras em curtas distâncias, formando um mosaico. Cada uma delas possui características peculiares, com fauna e flora muitas vezes distintas de outras regiões da Amazônia.

Visualizar animais não é comum na Amazônia, principalmente os mamíferos. Mesmo assim, tivemos sorte. Conseguimos ver algumas antas na cachoeira do Monte Cristo, porco do mato, macaco barrigudo Laghotrix cana, que não fugiram das lentes de Zig Koch. Outros bichos foram vistos pelos pesquisadores.


Fonte: WWF - Brasil


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