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Entrevista: “Já existem diversos compradores dispostos a pagar mais por produtos ambientalmente adequados”




Um dos objetivos do WWF-Brasil ao participar da III Feira Brasil Certificado, entre 16 e 18 de abril na capital paulista, é divulgar a importância socioambiental da certificação FSC e do manejo florestal praticado por comunidades e empresas. O engenheiro ambiental Estevão Braga, do WWF-Brasil, explica o que é a certificação FSC, como funciona e como contribui para a conservação das florestas.

O que significa a certificação FSC?

Estevão Braga: FSC é a sigla em inglês para Conselho de Manejo Florestal, uma organização internacional criada em 1993 no Canadá para desenvolver princípios e critérios universais para o bom manejo florestal, com base em aspectos sociais, ambientais e econômicos. A certificação FSC é concedida após a comprovação, por parte de uma certificadora independente e credenciada pelo FSC, que a empresa ou comunidade cumpre todas as normas da certificação. Além disso, as áreas certificadas são auditadas pelo menos uma vez por ano para assegurar que as regras continuam sendo respeitadas.

Em linhas gerais, quais são esses critérios?

Estevão Braga: A certificação FSC é baseada no tripé da sustentabilidade: o manejo florestal tem que ser ambientalmente adequado, socialmente justo e economicamente viável. Isso significa que a exploração da floresta não pode agredir o meio ambiente. Adicionalmente, não é aceito o uso de mão de obra infantil ou escrava e todos os direitos trabalhistas devem ser integralmente respeitados. Além disso, o plano de manejo da floresta deve ser exeqüível do ponto de vista operacional e financeiro.

Quais são os passos necessários à obtenção da certificação FSC?

Estevão Braga:
Primeiramente, a empresa ou comunidade deve comprovar que tem o direito de manejar aquela área. Ou seja, que ela tem a posse ou o direito ao uso da terra. Com essa comprovação em mãos, ela deve realizar o inventário da área a ser manejada, levantando cada uma das árvores de espécies comerciais existentes. Com base nesses dados, é elaborado um plano de manejo, que determina quais árvores podem ser extraídas para a retirada de madeira e com qual periodicidade, de modo a causar o menor impacto possível à floresta e à biodiversidade local. Basicamente, o manejo florestal tenta imitar o ciclo natural da floresta, onde as árvores mais velhas morrem, caem e abrem clareiras, permitindo assim que as mais jovens cresçam e tomem o lugar das mais velhas. E o FSC é a forma mais segura de se extrair árvores da floresta, imitando esse ciclo natural.

A certificação FSC é válida apenas para a madeira?

Estevão Braga:
Não. A certificação FSC também pode ser concedida para o manejo de produtos florestais não-madeireiros, como a castanha-do-Brasil, o óleo de copaíba, sementes a serem utilizadas para a produção de jóias e artesanato, entre outros. Os critérios básicos são os mesmos, com pequenas adequações de caráter técnico.

Custa caro obter e manter a certificação FSC?

Estevão Braga:
Quando se compara o custo do manejo feito da forma correta, que respeita as leis e normas ambientais brasileiras, a diferença não é tão grande. O que não dá é para comparar o preço do manejo certificado, que cumpre a lei, paga impostos e tem funcionários registrados em carteira, com a extração ilegal de madeira, que é feita em áreas públicas ou de terceiros, não paga nenhum imposto e não paga bem seus funcionários.

No aspecto financeiro, compensa investir na certificação?

Estevão Braga:
Sim. Estudos na Amazônia comprovam que o manejo florestal custa, em média, 17% menos que a exploração predatória dos recursos. Afinal, com a exploração racional das florestas há menos desperdício, as árvores se recuperam com mais rapidez e é possível lucrar com a floresta por muito mais tempo. Em relação ao mercado, já existem diversos compradores dispostos a pagar mais por produtos social e ambientalmente adequados.

Sobretudo no exterior ou também no Brasil?

Estevão Braga:
O mercado no exterior é bem mais desenvolvido. Na Holanda, por exemplo, cerca de 20% da madeira comercializada tem a certificação FSC. No Brasil, a porcentagem de madeira FSC da região amazônica não chega a 1%. Se olharmos historicamente, o Brasileiro nunca se preocupou com a origem da madeira que consome. Nos últimos 10 anos, entretanto, temos visto a situação mudar, principalmente nos mercados consumidores mais importantes. O governo de São Paulo, por exemplo, está criando barreiras legais para a entrada de madeira de origem predatória em todo o estado. Certamente é uma tendência sem volta, o FSC é o norte a ser seguido por todos que se preocupam com as florestas brasileiras.


Fonte: WWF - Brasil


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