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Do Carecuru ao porto de Itacoaquera




O acampamento no Carecuru não foi dos mais confortáveis, difícil para o banho, com a água mais barrenta e muito mosquito, típicos de áreas alagadiças como esta. Para nossa sorte, foi mais uma noite sem chuva. O pessoal da comunidade São Francisco do Iratapuru diz que, como passamos da linha do Equador em direção ao sul, não chove mais na região até novembro. Coincidência ou não, não pegamos mais chuva. Os dias continuaram nublados pela manhã e com muito, muito sol durante o dia.

Acordamos sem pressa, pois nossa principal missão do dia era esperar a chegada do avião que viria retirar os doentes. Demorou mais do que o esperado e, diante disso, Marcelo Creão, que coordenava as atividades mesmo febril, reuniu o grupo para as despedidas, agradecimentos e últimas instruções. Por volta das 9h, dois barcos partiram e nós continuamos na espera.

Quase uma hora depois, o avião aterrissou. Com o descarregamento das poucas provisões pedidas, nos despedimos dos que partiriam: além do Marcelo e da Bernadete, doentes, também deixou a expedição a cabo Alcemira, do Batalhão Ambiental do Amapá. Rapidamente voltamos ao acampamento para carregar os últimos equipamentos que estavam em terra e começamos nosso dia de viagem. Era mais de 10h da manhã e tínhamos urgência em seguir viagem descendo o Jari.

Alguns quilômetros abaixo, encontramos uma balsa de garimpo, na altura que da boca do rio Carecuru, que fica do lado esquerdo, em pleno funcionamento. Edevaldo comentou que no rio Carecuru tinha uma nascente de águas quentes, perto da boca do rio. Aproveitamos a oportunidade para ir conhecê-la. Quando entramos no rio Carecuru, a coloração da água mudou completamente, estava completamente barrenta, com muito sedimento.

Navegamos por aproximadamente um quilômetro e chegamos à fonte, um lugar muito bonito e de água cristalina e quente, onde há grande quantidade de algas típicas de ambiente sulforosos, de coloração azulada-esverdeada. Seu Orlando contou que na sua época de garimpeiro, ele e outros se banhavam na fonte. Segundo os comentários do pessoal, existe garimpo rio acima, o que é o acusador da poluição do rio.

Sabíamos que seria um dia com muitas corredeiras a atravessar, que não tardaram a aparecer. A primeira grande foi a Alagação, relativamente extensa e com muitas ondas e pedras. Nessa altura, encontramos os dois batelões que haviam saído na nossa frente. A segunda foi a Aurora, uma das corredeiras mais extensas, com aproximadamente seis quilômetros, muito forte.

Poucos quilômetros adiante, chegamos ao complexo Periquita, outra longa corredeira turbulenta, cujos poucos pontos de passagem eram identificados pelo seu Orlando indicava, demonstrando que conhecia como ninguém esses canais. E vêm mais corredeiras, uma atrás da outra: Complexo do Caju, Sete Pancadas - que, como o próprio nome diz, tem sete "saltos" em seqüência -, e a Corredeira Quatorze, já próxima de nosso destino.

A fisionomia da vegetação ao longo rio foi mudando e voltamos a ver os castanhais, os angelins, além de continuarmos a ver grande quantidade e diversidade de palmeiras como açaí, além de paineiras. Ao mesmo tempo, muitas pedras ao longo do trajeto, um indicativo de que o rio já baixou muito.

Chegamos ao nosso destino às quatro horas da tarde, no "porto" do Itacoaquera, local utilizado para fazer a transbordo de mercadorias, geralmente para garimpeiros e castanheiros, que sobem e descem o rio Jari. Nesse ponto, as corredeiras são muito extensas, fortes e rápidas, praticamente impossível de serem atravessadas de barco.

Atracamos em uma prainha utilizada para desembarcar nossas mercadorias.
Estava combinado que o "jerico", um tratorzinho, faria o transporte de nossas coisas até a parte baixa da corredeira, onde existe outra prainha. Como ele não apareceu, seu Arraia foi em busca do dono do trator, o Parrudo. Pouco tempo depois, apareceram com o "jerico" e começamos o transporte do combustível, dos equipamentos e das outras coisas. Os barcos ficaram para o dia seguinte.


Fonte: WWF - Brasil


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