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Criada entidade para produzir soja com responsabilidade




A criação da primeira organização internacional para reduzir os impactos negativos da produção de soja foi anunciada ao fim da Segunda Conferência sobre Soja Responsável (RTRS, da sigla em inglês), que aconteceu em Assunção, Paraguai, de 31/08 a 01/09. A nova organização é uma iniciativa de produtores, processadores, comerciantes, instituições financeiras e organizações da sociedade civil e é uma resposta aos anseios de consumidores por uma soja mais social e ambientalmente responsável.

A primeira tarefa da nova organização será desenvolver e implementar, globalmente, princípios, critérios e indicadores para produção, processamento, comercialização de uma forma responsável, em 18 meses. Os 200 participantes do RTRS acreditam que esses princípios e critérios (ver documento final http://www.responsiblesoy.org) devem refletir questões como proteção à biodiversidade, limites da conversão de habitats naturais em plantações de soja, melhores práticas agrícolas, e cumprimento às leis trabalhistas locais.

“Chega de desmatamento para a agricultura. A criação formal da RTRS e o compromisso de alguns dos principais atores da cadeia da soja de adotar princípios e critérios por uma soja produzida com mais responsabilidade é um marco”, afirma Leonardo Lacerda, Diretor de Conservação do WWF-Brasil. “O setor privado está começando a entender que é necessário fazer a parte deles, e rapidamente, para evitar conseqüências mais drásticas para o Brasil como o boicote do produto ou a adoção de barreiras não tarifárias para erradicar a soja produzida de forma irresponsável”.

A soja é usada para produzir óleo comestível, cosméticos, alimentos para humanos e animais como gado, porcos, aves e peixes. Os princípios e critérios vão levar a um mecanismo de mercado para evitar os impactos negativos da produção de soja e sua expansão. Na Europa, por exemplo, os comerciantes de soja vêm sendo criticados por comprarem de produtores que estão ajudando a destruir habitats de grande valor para a conservação como a Amazônia e o Cerrado. Igualmente, na América do Sul, o setor da soja é criticado por desmatamento, apropriação ilegal de terras públicas, retirada de pequenos produtores de suas terras e o não cumprimento das leis trabalhistas locais.

“Esta conferência vem ao encontro do que estávamos esperando: prazos e o comprometimento para desenvolver critérios e indicadores garantindo mais responsabilidade dentro do setor da soja e um claro compromisso dos nossos fornecedores”, afirma Jan Nicolai, da Nutreco, um das maiores empresas compradoras de ração animal no mundo.

Na opinião de Martin Tielen, Presidente da Federação Européia de Manufaturadores de Alimentos (FEFAC), “passos maiores ainda precisam ser tomados, mas já fizemos um grande progresso nesses dois dias”.

“Esta iniciativa mostra como o mercado e os governos podem cooperar e o Paraguai, país que sediou o evento, deu um exemplo do que é possível quando há vontade política”, afirma Bella Roscher, Coordenadora do WWF - Internacional para a Soja. “Em 2004, o Paraguai aprovou a Lei de Desmatamento Zero. Em apenas dois anos foi possível reduzir a taxa anual de desmatamento em 85% no leste do país e ainda assim, a produção e a exportação de soja aumentaram, mostrando que o desenvolvimento pode acontecer paralelamente à proteção ambiental”.

Membros do Comitê Organizador do Segundo Congresso sobre Soja Responsável:
  • Grupo André Maggi– maior produtor individual de soja no Brasil
  • Banco Real - ABN AMRO no Brasil – banco pertencente ao grupo holandês, interessado em diretrizes que lhe permitam estabelecer requisitos ambientais e sociais para seus clientes
  • Abiove – Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal
  • Rede-WWF – rede ambientalista mundial independente, da qual faz parte a organização brasileira WWF-Brasil
  • Ipam - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia
  • Aapresid (da Argentina) – associação de produtores de plantio direto
  • Guyra Paraguay, organização ambientalista paraguaia afiliada à Birdlife International
  • Coop (rede de supermercados suíça)
  • Unilever (fabricante holandês de produtos de consumo de massa, inclusive a margarina de soja)
  • Solidaridad (ong social da Holanda)
  • RTRS, equipe de facilitação


Fonte: WWF - Brasil


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