Aguarde...

Copa do mundo, cachoeira, jaguatirica e peixe gigante num só dia




Por: Ana Cíntia Guazzelli, com Cláudio Maretti

 
A cena é rara. Com duas grandes quedas divididas em mais de 250 metros de largura, a cachoeira do Salto Augusto supera tudo o que já vi nestes 15 anos de Amazônia, em grandiosidade, volume d´água e beleza cênica. Tentar navegá-la seria impossível. Sua velocidade de 40 a 50 quilômetros por hora e saltos de até 15 metros de altura obrigaram a equipe a transportar cerca de cinco toneladas de equipamentos, mantimentos, voadeiras, motores e toda a bagagem da expedição por um quilômetro de trilha durante praticamente o dia inteiro.


Certo que contamos com a grande ajuda da equipe de apoio, piloteiros e cozinheiras, e de um trator da Pousada Salto Augusto, onde pernoitamos ontem. Caso contrário, não teríamos tido tempo de apreciar toda aquela maravilha. Fotografias, relatos e impressões só foram compartilhadas no acampamento montado na margem do rio Juruena, a cerca de 500 metros da cachoeira.


Copa do Mundo
Como não poderia deixar de ser, a paixão nacional também parou a expedição. A cena era hilária: uma televisão colorida de 21 polegadas, rodeada por quase todos nós que já sabíamos do início do jogo Brasil x Austrália há alguns minutos por um radinho de pilha, e o Ivã Avi, tentado localizar o sinal do satélite na antena parabólica, rodando de um lado para o outro. Cada vez que a imagem parecia se fixar, todos vibravam, mas em poucos segundos o chuvisco tomava conta novamente da tela. Até que, aos 25 minutos do primeiro tempo, a antena funcionou e, diretamente da selva amazônica assistimos à segunda partida do Brasil na Copa do Mundo – contando com alguns visitantes alemães assistindo conosco!

Segunda etapa
Iniciamos hoje a segunda etapa da nossa expedição: a parte fluvial. Até o dia 24 de junho permaneceremos na calha do rio Juruena. E é aqui que os pesquisadores acreditam na possibilidade de existir plantas e animais não encontrados em outras regiões da Amazônia. Dante Buzzetti explicou que o fato deste rio manter sua mata ciliar úmida o tempo todo o diferencia de outros da região amazônica, o que pode significar encontrarmos algumas espécies endêmicas, típicas somente desta região. Hoje, ele observou a existência de muitas bromélias e orquídeas. Também identificou algumas araras, maritacas, macaco prego e macaco zogue-zogue.


Já Ivã Avi, que acompanha a expedição com o objetivo de analisar as condições do rio Juruena para atividades esportivas, como o rafting, estava impressionado. Pela primeira vez na Amazônia, ele garantiu que nunca imaginou encontrar um rio tão belo, com fortes quedas como a cachoeira do salto Augusto. Segundo ele, este obstáculo natural encontra-se no nível 6 do rafting, portanto, impossível de ser ali praticado com segurança. Ele explicou que, apesar de ainda estarmos no início da expedição pelo rio Juruena, já pôde identificar corredeiras com grande potencial para a prática do esporte.


Peixe de 60 kg
Solange Arrolho, pesquisadora da Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat), não parou. Já nas primeiras horas da manhã ela saiu com sua varinha de pescar e logo trouxe, entre outros peixes, um tucunaré de aproximadamente 54 cm, que, segundo ela, é difícil de ser capturado em lugares de corredeira. Mas a grande surpresa estava reservada para a noite. Logo depois do jantar, chegou ela, com uma piraíba ou filhote Brachyplatystoma filamentosum, de mais de 60 Kg. Todos correram para apreciar o animal. Ela contou que, por volta das 19h, saiu com um piloteiro da região, que lhe perguntou se queria capturar um peixe grande. Ela não teve dúvidas e, depois de uma hora e meia tentando trazê-lo à tona, venceu a briga com o ‘tubarão da água doce’, como a piraíba é localmente conhecida. Este peixe chega a pesar 160 quilos e medir mais de dois metros de comprimento.


A outra grande surpresa da expedição, talvez a primeira de muitas outras que deverão surgir durante todos os próximos dias, foi o encontro do Marcos Pinheiro e Osmar, secretário municipal do meio ambiente de Apiacás, com uma jaguatirica Leopardus pardalis, parada em cima das pedras. Segundo Marcos, os três se assustaram. A primeira reação dele foi parar e procurar a máquina fotográfica. Osmar não disse nada e ela, a felina, mansamente, caminhou em direção contrária à dos visitantes. Esta foi a segunda vez que Marcos viu uma jaguatirica na natureza, mas a primeira que conseguiu fotografá-la, mesmo de longe.


Ver um animal como esse é uma alegria para qualquer expedição deste tipo. As investigações de campo nem sempre se baseiam em contato físico com todas as espécies detectadas. Muitas delas são identificadas pelos cantos, como no caso das aves, por pegadas ou pelas fezes no caso dos felinos. Ver um predador é sempre um sinal, ainda que a ser confirmado, de que há qualidade ecológica na área, pois isso normalmente é necessário para manter os predadores, sobretudo se ocupando o topo de cadeia alimentar.
Amanhã, sairemos cedo, depois de carregar as oito voadeiras com as cinco toneladas de carga e a nossa equipe, composta por 15 pessoas. Viajaremos durante seis horas e pretendemos montar acampamento antes do sol se por.


Assim devem ser os próximos quatro dias, com trechos de navegação e, em alguns pontos, obstáculos a serem vencidos. Claro, isso tudo entremeado a observações sobre a natureza, sobre potencial turístico e perspectivas para implantação e gestão deste novo mega Parque Nacional de Juruena.


Fonte: WWF - Brasil


Álbum (5)

Álbum de fotos (5)

Marcadores

Comentários



Biodiversidade é retratada no Foto Arte 2007
Biodiversidade é retratada no Foto Arte 2007
A história da Convenção de Clima, Protocolo de Quioto e próximo acordo global de clima
A história da Convenção de Clima, Protocolo de Quioto e próximo acordo global de clima
Seminário lança programa de capacitação que vai beneficiar mais de 2,5 mil famílias
Seminário lança programa de capacitação que vai beneficiar mais de 2,5 mil famílias
Balão Panda sobrevoa o encontro das águas
Balão Panda sobrevoa o encontro das águas
Livro aborda consumo responsável da madeira amazônica a partir de políticas públicas
Livro aborda consumo responsável da madeira amazônica a partir de políticas públicas
Onça, urubu e como mudanças no Código Florestal podem afetar sua vida.
Onça, urubu e como mudanças no Código Florestal podem afetar sua vida.
Potencial hidrelétrico da Amazônia precisa ser debatido com a sociedade
Potencial hidrelétrico da Amazônia precisa ser debatido com a sociedade
WWF-Tailândia descobre novo recife de peixes raros
WWF-Tailândia descobre novo recife de peixes raros
Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu ganha mapas colaborativos
Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu ganha mapas colaborativos
Zig Koch mostra os desafios de fotografar a Amazônia
Zig Koch mostra os desafios de fotografar a Amazônia
Governos falham em coragem e ambição nas negociações climáticas da ONU
Governos falham em coragem e ambição nas negociações climáticas da ONU
Campanha na Internet mobiliza empresas e pessoas físicas pela conservação da natureza
Campanha na Internet mobiliza empresas e pessoas físicas pela conservação da natureza
Hora do Planeta já começou no mundo
Hora do Planeta já começou no mundo
Acre: DVD e livro coroam sucesso da Feira do Pirarucu
Acre: DVD e livro coroam sucesso da Feira do Pirarucu
Abertura oficial da Rio+20: sem avanços nem emoção
Abertura oficial da Rio+20: sem avanços nem emoção
Todos em Apuí: mudança de planos
Todos em Apuí: mudança de planos
Aumenta a pressão aos senadores contra alterações no Código Florestal
Aumenta a pressão aos senadores contra alterações no Código Florestal
Panda retoma parceria com Associação Mico Leão Dourado
Panda retoma parceria com Associação Mico Leão Dourado
Esforço conjunto para recuperar o rio Peruaçu
Esforço conjunto para recuperar o rio Peruaçu
WWF-Brasil e Companhia Athletica firmam parceria
WWF-Brasil e Companhia Athletica firmam parceria