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Chuva e lama na foz do rio Cuc




A noite de ontem foi das mais úmidas da expedição. Estamos navegando no trecho acima da cachoeira do Desespero, ou Macacoara, portanto, em meio à uma planície fluvial relativamente encaixada. Isso significa que há muitas áreas úmidas ao longo das margens do rio, possivelmente condicionadas por meandros abandonados ou áreas baixas de sedimentação recente em planícies de inundação.

Nessa noite, instalamos o acampamento à beira do rio, num promontório úmido e argiloso. Num dos barcos, instalamos nosso "escritório": levantamos uma cobertura de lona plástica, com a antena instalada num dos batelões para evitar sombra das árvores da margem, de modo a possibilitar a conexão via satélite. Choveu no começo da noite, enquanto trabalhávamos, e à noite, quando a maioria dormia - menos eu. Por causa dessas condições, as roupas, bagagens e demais tralhas ficaram mais úmidas, e, não raro, sujas de lama.

Tivemos um amanhecer típico da região nessa época, com neblina e céu nublado Chegamos à foz do Cuc, descemos na pista de aterrissagem do Cuc e decidirmos que alguns companheiros - Marcelo Creão, Orlando, Matthew Pearl, Humberto e Edevaldo t partiriam com a catraia Comaru, mais rápida, para a pista de pouso Molocopote, rio Jari acima.

Os que ficaram foram logo procurar local de acampamento, já na metade do dia. Decidimos nos instalar exatamente da esquina da confluência da margem direita do Cuc com a margem esquerda do Jari, em terreno úmido e argiloso, pela falta de lugar melhor. Mal chegamos e começamos a montar acampamento e a chuva recomeçou. De forma intermitente, com mais chuva que parada, que durou até o meio da noite.

Em nosso escritório flutuante acertamos a parte logística da expedição, sobretudo a solicitação de um avião para hoje, quarta-feira 9, para retirar Matthew Pearl e Humberto em Molocopote. Acertamos também os preparativos para o reabastecimento da expedição, previsto para Molocopote, incluindo a chegada de um outro motor 25 HP. Mandamos notícias para os parentes, enviamos fotos e relatos como este para publicação na página web do WWF-Brasil e falamos com parceiros em Washington.

Hoje passamos novamente por lugares cobertos por árvores belíssimas e avistamos vários martins-pescadores, dos grandes, urubus, uma anta atravessando o rio, ariranhas, um jacaré na margem, guaribas de cor vermelho-amarronzado, patos selvagens, micos, capivaras, corocas - ave pernalta preta de bico comprido -, um casal de mutuns, e por aí afora. Após a travessia da cachoeira do Desespero, nos fica essa sensação de monotonia, de um dia navegando pelo médio-alto Jari.

Aparecem muitos periquitos, mas já não se vê quase araras. Uma hipótese para isso está relacionada à relativa escassez de castanheiras nessa parte do rio, já que a castanha-da-Amazônia é um dos alimentos dessas aves de bico fortíssimo. As castanheiras são abundantes na parte baixa do Jari, mas ainda ocorriam até a região da aldeia do Mukuru, na terra dos índios Wajãpi. Justamente até essa aldeia viam-se muitas araras. Depois foram escasseando.

Após os novos cálculos esta manhã, pudemos perceber que, não só fizemos bem em não subir o rio Cuc como talvez não tenhamos combustível para chegar até Molocopote. Depois de cerca de oito horas de viagem, incluindo as paradas para mingau, almoço, fotografias, fizemos hoje 103,2 quilômetros pelo Jari. A estimativa que temos é que já fizemos mais da metade do trecho, provavelmente dois terços. Um dos batelões, o Laura, com motor 25 HP, deve ficar sem combustível no caminho. Dessa forma, provavelmente será necessário que o primeiro batelão vá ao Molocopote e envie a catraia com combustível para o Laura.


Fonte: WWF - Brasil


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