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Chegada à cachoeira Macaé, ponto final da subida pelo Jari




A vegetação e a geomorfologia mudaram à medida que o rio vai ficando mais encaixado, a partir do Molocopote. As planícies de inundação vão diminuindo de tamanho e também escasseando. Lembremos que entre a cachoeira do Desespero , ou Macacoara, e até um pouco antes de Molocopote, as planícies de inundação dominaram totalmente o relevo e a vegetação era passível de submersão. Ainda assim, havia alguns trechos com vegetação um pouco mais imponente.

Dessa forma, ontem dia 13, predominou dois tipos de vegetação no trecho que percorremos: a) uma tipologia dominante antes de Molocopote, com vegetação relativamente baixa, entre 10 e 15 metros, podendo apresentar grande parte das espécies que temos visto, mas em tamanho relativamente mais reduzido; é portanto uma vegetação ripária, típica de planícies e terraços fluviais, mais baixa que a floresta de terra firme; b) uma tipologia dominante nas planícies de inundação mais freqüente, com vegetação ainda mais baixa, predominantemente um a dois metros, quase sempre coberta com lianas, de onde se destacam umas arvoretas aqui e acolá.

Em determinado momento da navegação, passamos pela "entrada" de um corpo d'água, estava praticamente fechada. Mesmo assim, resolvemos abrir com o facão e entramos. Uma maravilha amazônica existia lá dentro, pois o que aparentemente é um meandro abandonado, que continha floresta inundada, e várias ariranhas lá "escondidas".

Também dentro do meandro abandonado pudemos observar com cuidado, pela primeira vez, as "iguanas saltadoras", que aqui eles chamam de camaleão. É muito curioso o comportamento delas, que ficam nas árvores, arbustos ou vegetação à margem dos rios. Não sabemos se elas se assustam com nossa aproximação ou se é típico do comportamento delas caírem ou se atirarem na água de tempos em tempos. Jogam-se ou caem na água à nossa frente. Praticamente só ouvimos o "splash" na água, sobretudo quando dão "barrigadas". Zé Maria, morador do Molocopote, conta que se jogam mesmo onde existem piranhas, e são devoradas.

Hoje, dia 14, partimos pela manhã, como de costume, por volta das 8h. O rio foi ficando cada vez mais estreito. Neste trecho, as mudanças ocorrem a olhos vistos. Esperávamos grande redução na conjunção do Jari com o rio Mapaoni, por onde passamos ontem, já ambos são de tamanhos muito similares. Na verdade, isso deve ter ocorrido em termos do volume de água, mas não foi significativa a redução visual. Ao contrário, o Jari pareceu reduzir-se mais significativamente após o igarapé Paruzinho.

O fato é que hoje encontramos o Jari muito mais encaixado, o que às vezes nos dava a sensação de navegar dentro da floresta, tal a proximidade das margens e a imponência da vegetação ao redor. Vimos muito bichos novamente, com destaque para uma preguiça que, segundo alguns, estava evacuando na margem do rio...

Além dos dois tipos de vegetação descritos ontem, voltamos a encontrar uma tipologia de floresta relativamente alta, que atinge de 25 a 35 metros - exceto quando há algumas árvores especiais, como o angelim, que se projetam além do dossel, algo incomum neste trecho do alto Jari -, com dois ou três estratos (ou andares) dentro da floresta. Ocorrem ou em terraços fluviais, mais enxutos e altos, ou, mais freqüentemente, em colinas ou morrotes.

Além disso, começou a aparecer neste último trecho, um outro tipo de vegetação inundada que se projeta para dentro do rio, praticamente fechando-o em algumas partes. É uma vegetação baixa, podendo chegar a um ou 1,5 metros, excepcionalmente a dois metros. Começamos a ver também taquarais à beira do rio, aparentemente pequenos em extensão. Curiosamente voltamos a ver palmeiras-açaí, algo que não víamos havia alguns dias, e bacabas, inajás e, talvez, palmeira babaçu.

Mesmo com o rio menos meandrante, as curvas são incessantes, com trechos encaixados controlados pelas rochas e trechos com meandros menores, condicionados pela planície fluvial mais estreita. Certamente estamos no alto Jari. Navegamos 76 quilômetros ontem, muito embora em linha reta seja provavelmente perto de metade. Hoje percorremos 79 quilômetros.

Chegamos à cachoeira Macaé no meio da tarde. Gostamos tanto de haver aqui chegado que resolvemos acampar, mesmo sendo antes da hora de parar. Estamos praticamente no limite do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, que uns três quilômetros acima da cachoeira faz divisa com o Parque Indígena Tumucumaque. O fato é que este é o ponto mais alto no rio Jari previsto em nosso planejamento. Isto é: CHEGAMOS AO PONTO FINAL DA IDA DESTA EXPEDIÇÃO!!! Agora, começaremos a regressar.


Fonte: WWF - Brasil


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