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Aos 25 anos, Cabo Orange decifra as riquezas que protege




No ano em que completa 25 anos de existência, o Parque Nacional do Cabo Orange começa a decifrar as riquezas que guarda em seu interior. No próximo dia 9 de setembro, uma equipe composta por técnicos do Ibama e de universidades e institutos de pesquisa do Amapá e do Pará inicia uma expedição de 15 dias pelos diversos ecossistemas do parque, visando levantar dados biológicos e arqueológicos para o plano de manejo da área. A expedição conta com o apoio do WWF-Brasil e do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA), um programa do governo federal executado com parceiros.

Localizado no extremo norte do Brasil, na costa do Amapá, o Cabo Orange foi decretado pelo governo federal em julho de 1980. É um dos primeiros parques nacionais criados na Amazônia brasileira. Seus 619 mil hectares protegem uma grande variedade de paisagens, moldadas pelo contato dos ecossistemas amazônicos com as águas do Oceano Atlântico. São mangues, campos inundáveis, campos limpos, florestas inundáveis (ou várzeas), florestas de terra firme, além de ecossistemas marinhos. É, ao mesmo tempo, um parque continental e marinho, já que aproximadamente 200 mil hectares de sua área estão am águas oceânicas. Acolhe ainda sítios arqueológicos pouco explorados por pesquisadores.

O excelente estado de conservação do parque garante abrigo e alimentos abundantes para a reprodução de muitas espécies de aves migratórias, répteis e mamíferos, muitos dos quais ameaçados de extinção em outras partes do Brasil. É o caso de aves como o guará (Endocimus ruber) e o flamingo (Phoenicopterus ruber), a tartaruga-verde (Chelonia mydas) e de mamíferos como o peixe-boi marinho (Trichechus manatus), o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) e a suçuarana (Puma concolor). Por isso, o parque tem como um de seus maiores atrativos a observação de animais, especialmente de aves.

Duas décadas e meia de espera

Apesar das riquezas que protege, o Parque Nacional do Cabo Orange não recebeu os investimentos necessários para cumprir as funções para as quais foi criado. Agora, está realizando os levantamentos necessários para formular seu plano de manejo, documento que define as atividades humanas permitidas em seu interior – como pesquisa científica, educação ambiental e turismo -, os locais onde poderão ocorrer e as estruturas físicas para que ocorram. Sem o plano de manejo, o parque não pode funcionar adequadamente.

Esse “presente de aniversário” é resultado do ARPA que, além de criar novas áreas protegidas na Amazônia, está investindo na implementação de parques ainda não consolidados. A expedição que se inicia esta semana é a segunda de uma série de três planejadas pela equipe do Ibama que administra o parque – a primeira ocorreu em abril passado e a última está prevista para o início de 2006. Essa segunda incursão pelo parque conta com a presença do entomólogo (especialista em insetos) Emerson Monteiro dos Santos, da Universidade Federal do Pará; do biólogo Andrei Roos, do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação das Aves Silvestres (Cemave), do Ibama; do arqueólogo Ednaldo Pinheiro Nunes, do Museu Histórico do Amapá e do Museu Paraense Emílio Goeldi, que realiza pesquisa no sítio arqueológico do Cunani.

Participam também pesquisadores das áreas de geologia, botânica, ictiologia (estudo de peixes) e mamíferos do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa). A expedição pretende avaliar o potencial de visitação de três áreas: o Lago do Tralhoto, descrita pelos pesquisadores como uma área que concilia importância biológica e beleza natural, os ninhais do Igarapé do Marrecal e as praias do sul do parque.

Além de contar com recursos do ARPA, as expedições têm apoio financeiro e técnico do WWF-Brasil que, por meio de um acordo com o Ibama, investe na compra de equipamentos e contratação de serviços. “Com esse apoio complementar ao ARPA, estamos encurtando o caminho para que o Parque Nacional do Cabo Orange finalize seu plano de manejo e, em breve, exiba suas belas paisagens ao Brasil e ao mundo”, afirma Denise Hamú, CEO do WWF-Brasil.

Saiba mais sobre o ARPA

O Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) é uma iniciativa do governo federal, coordenada pelo Ministério do Meio e executada pelo Ibama e pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), entidade não-governamental com larga experiência em implantar projetos ambientais no país. O programa conta ainda com o apoio financeiro e administrativo do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), do Banco Mundial; KfW (banco de cooperação da Alemanha), GTZ (agência de cooperação técnica da Alemanha) e do WWF-Brasil.

A meta do ARPA é, ao longo de 10 anos, estruturar uma rede de parques e reservas que proteja ao menos 50 milhões de hectares das diferentes paisagens da Amazônia brasileira - uma área equivalente ao território da Espanha. Além de criar novas áreas protegidas, o programa está financiando a implantação de unidades de conservação criadas no passado, mas que não receberam investimentos para funcionar adequadamente - caso do Parque Nacional do Cabo Orange. Com os recursos do programa, o parque está investindo na vigilância de seu patrimônio e realizando os levantamentos necessários para preparar seu plano de manejo, que deverá estar concluído no primeiro semestre de 2006.


Fonte: WWF - Brasil


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