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Amazônia precisa de novo modelo de desenvolvimento




 por Aldem Bourscheit

Rio de Janeiro (RJ) - A secretária-geral do WWF-Brasil Maria Cecília Wey de Brito, alertou hoje que metade da floresta amazônica, espalhada por nove países na América do Sul, pode estar desmatada ou degradada até 2031 caso o modelo regional de desenvolvimento em voga não seja alterado. Segundo ela, as taxas de desmatamento vêm caindo, mas grandes projetos de infra-estrutura, o avanço da fronteira produtiva e mudanças nas leis que protegem as florestas podem reverter esse quadro.

O anúncio aconteceu durante painel que tratou de desafios e perspectivas para a conservação da biodiversidade na Amazônia, no evento Humanidade 2012 (atalho ao lado). "Além de perdas inestimáveis de biodiversidade, também poderão mudar as formas com que a maior floresta tropical do planeta equilibra o clima global e regional, alterações no regime de chuvas que chegam ao Sudeste e outras áreas produtivas. Isso impactará a produção no campo, economias e a vida de milhões de pessoas", ressaltou.

Maria Cecília também comentou que a Amazônia abriga a maior bacia hidrográfica e uma em cada dez espécies do planeta, alcançando metade do território brasileiro. Entre 1999 e 2009, uma nova espécie foi descoberta a cada três dias na região. Ela também destacou o papel indispensável das florestas em manter carbono estocado em suas árvores e outras infinitas formas de plantas. "O desmatamento vem caindo na Amazônia, mas segue absurdamente alto em outras regiões, como no Cerrado, onde se concentra nossa produção agrícola", disse.

Levantamento divulgado nos últimos dias pelo IBGE mostra que a perda de florestas nativas na Amazônia caiu 77% nos últimos seis anos. Também deixa claro que no Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga e Pampa as perdas de vegetação persistem fortemente.

A secretária-geral comentou, ainda que 27% do território da Amazônia brasileira está protegido em unidades de conservação. O incremento na criação de áreas protegidas ganhou força desde 2003, principalmente daquelas de "uso sustentável", onde a propriedade da terra não passa para o Poder Público. Além disso, a efetividade da gestão desses espaços tem crescido nos últimos anos, conforme estudo do WWF-Brasil. "Todavia, mudanças legislativas em curso no Congresso Nacional podem reverter esse quadro", disse Maria Cecília.

O Código Florestal Brasileiro vem sendo desmantelado, reduzindo amplamente a proteção das florestas brasileiras. Há vários projetos de lei em tramitação que, se forem aprovados, dificultarão a criação de áreas protegidas e terras indígenas, além de reduzir ou eliminar parques nacionais e outras unidades de conservação.

Falta conhecimento - Paulo Dallari Soares, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, lembrou que é fundamental ampliar o conhecimento brasileiro sobre as riquezas naturais da floresta amazônica. "É necessário avançar nas pesquisas, elevando posição do país no ranking global de conhecimento sobre biodiversidade", disse. Esse pode ser um meio para reduzir o nível de ameaça sobre a saúde da região. "Às ameaças de degradação ainda avançam em ritmo frenético. Não podemos fingir que há controle sobre o que se passa pela Amazônia", ressaltou.

Craig Hanson, do World Resources Institute, lembrou que "para salvar a floresta é preciso olhar para fora da floresta". "É daí que vem a maioria das ameaças de hoje em dia. Especialmente o avanço da agricultura fundado na necessidade de alimentar uma humanidade crescente. Usar terras degradadas é uma boa alternativa para a produção de alimentos, commodities e outros itens", avaliou.


Fonte: WWF - Brasil


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