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24 horas de realidade




Um dia para acompanhar, em tempo real, os fatos das mudanças climáticas, no país e em todo o planeta. Campanha promovida pelo The Climate Reality Project começa às 19h do dia 14/9 para esclarecer população sobre crise climática

Existe, hoje, alguém que ainda não sentiu na pele o efeito das mudanças climáticas? Não se trata apenas de uma ou outra estação fora do padrão usual e sim de fenômenos cada vez mais freqüentes e extremados, com conseqüências sociais, ambientais e econômicas cada vez mais graves, que atingem um número crescente de pessoas em todas as partes do mundo. Enchentes, secas, furacões, tornados, terremotos, tsunamis já fazem parte do noticiário diário no mundo todo. 

No Brasil, intensificam-se as inundações e os desabamentos, prolongam-se as secas, sopram ventos cada vez mais.  A crise das mudanças climáticas é atual e já afeta a todos nós. No entanto, o tema ainda é tratado como algo incerto e para o futuro. 

Diversos grupos de interesse investem tempo e dinheiro para tentar convencer a opinião pública e os governos de que as mudanças climáticas são apenas uma idéia.  O evento mundial 24 horas de realidade, que inicia hoje (14/9) à noite e se estende até amanhã (15/9), pretende mudar essa percepção.  Para isso, durante um dia inteiro, vai mostrar ao público a realidade. 

Durante 24 horas, de 14 a 15 de setembro, serão realizados 24 eventos, em 24 locais, situados em cada um dos 24 fusos horários do globo terrestre.  Os eventos terão a participação de cientistas, lideranças empresariais, celebridades e cidadãos conscientes.   Em cada evento, com início marcado sempre para as 19h no horário local, será feita uma apresentação especial, com fatos e os últimos dados comprovados cientificamente e que irão mostrar e demonstrar a realidade das mudanças climáticas.  Durante as 24h, o público poderá acompanhar tudo pela internet, onde a transmissão on line será feita em tempo real.

O pontapé inicial será dado no México, em 14 de setembro (quarta-feira), e o evento atravessa o oceano Pacífico em direção Ásia e Oceania, passa pela Europa e atravessa o Atlântico de volta para as Américas, concluindo em Nova Iorque.  O encerramento está marcado para as 19h de 15 de setembro (quinta-feira), com uma apresentação do e ex-vice-presidente dos Estados Unidos e líder ambientalista Al Gore, que recebeu o prêmio Nobel da Paz, em 2007, junto com o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima).
 

No Brasil, o evento 24 horas de realidade acontecerá no Rio de Janeiro e será apresentado por Roberto Vamos, presidente da Surfrider Foundation Brasil e representante do The Climate Reality Project (Projeto Realidade do Clima, antes conhecido como Aliança para a Proteção do Clima, ONG fundada por Al Gore), idealizadora da campanha. 

O objetivo de 24 horas de realidade é informar a sociedade sobre o clima do planeta e mobilizá-la para salvá-lo.  O evento 24 horas de realidade é o primeiro passo da campanha destinada a contar a verdade sobre a crise climática.  A exemplo do que ocorreu com o fumo no passado, quando houve grande resistência em aceitar o efeito canceroso do cigarro, hoje a sociedade sofre com a desinformação sobre as mudanças climáticas, suas causas e efeitos.  No entanto, não se trata de algo relativo ao futuro, é algo atual.  Os conhecimentos necessários para orientar as ações que podem salvar o clima já existem, mas é preciso disseminá-los e dar visibilidade a eles.  É disso que trata essa campanha.

Por exemplo, a ciência estima que 350 ppm (partes por milhão) de dióxido de carbono (ou gás carbônico) é o nível máximo que deva ser permitido na atmosfera para garantir a segurança climática.  Para que isso aconteça, é preciso que a sociedade mundial adote medidas para reduzir o impacto da produção e do consumo sobre o meio ambiente, bem como para facilitar a adaptação às mudanças climáticas em andamento.  No Brasil, a principal causa das mudanças climáticas é o desmatamento.

Para mais informações sobre a campanha, acesse http://climaterealityproject.org/the-event ou entre em contato com 24hrs@climatereality.com

Conscientização é o primeiro passo para construção de soluções

Para o WWF-Brasil, o evento 24 horas de realidade é de grande relevância para chamar, novamente, a atenção da população mundial para a urgência da crise climática.

"Estamos chegando próximos do limite de nossa capacidade de controlar o aquecimento global, de evitar que o aumento da temperatura da Terra ultrapasse os 2°C em relação aos níveis pré-revolução industrial" afirma Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.

"Todos nós já temos noção de como o planeta se comporta com uma temperatura mais alta. Secas, enchentes, deslizamentos, tempestades, que assolam o mundo todo, e inclusive o Brasil, são apenas uma leve amostra do que pode acontecer se não controlarmos as emissões mundiais de gases de efeito estufa. E governos, organizações, indivíduos, todos precisam agir com urgência para mudar este quadro", completa.

No Brasil, enquanto uma seca severa atinge a região central do país e enchentes assolam a população do Vale do Itajaí, no Congresso Nacional, alguns parlamentares parecem completamente alheios a estes problemas, trabalhando no sentido de piorar ainda mais este quadro.

"O Brasil já é um dos maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa e nossa principal fonte de emissões é o desmatamento. Corremos o risco de ver destruídas áreas de preservação permanente, fundamentais para a preservação das águas e solos por evitar erosão e assoreamento de rios. Como conseqüência, teríamos o agravamento dos impactos de enchentes, com mais perdas de vidas humanas e impactos econômicos maiores”, explica.

Segundo análise do IPEA, o texto em discussão no Congresso, se aprovado, permitiria o desmatamento ou desobrigaria de recomposição florestal mais de 220 mil Km2, uma área maior do que a do estado do Paraná. Os dados do IPEA indicam que o Páis pode emitir 28 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa só por perda de florestas em áreas de reserva legal. Isso equivale a mais de 26 vezes a meta de redução de emissões para 2020.

“Os compromissos assumidos pelo Brasil em Copenhagen, hoje estabelecidos em lei, estão ameaçados. Portanto, convidamos a todos, incluindo nossos deputados e senadores, a acompanharem este evento global sobre a realidade climática. A conscientização sobre o problema é o primeiro passo para contribuirmos com as soluções”, conclui Rittl.


Fonte: WWF - Brasil


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